° / °
Economia
REMUNERAÇÃO

Salário médio do trabalhador bate recorde histórico e chega a R$ 3.722

Em um ano, valor do salário médio subiu 5,5% acima da inflação

Agência Brasil

Publicado: 30/04/2026 às 13:12

Dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE/Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O salário médio mensal do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa um aumento real – já descontado pela inflação – de 5,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. É o maior já registrado em toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) , iniciada em 2012.

O trimestre encerrado em março é o segundo consecutivo em que o salário médio ultrapassa R$ 3,7 mil. No trimestre encerrado em fevereiro, a renda foi de R$ 3.702. Comparado ao quarto trimestre de 2025, quando o valor foi de R$ 3.662, houve um aumento de 1,6%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , no Rio de Janeiro.

A pesquisa do IBGE coleta informações de dez grupos de atividades. Em oito deles, a renda média permaneceu estável (sem variação significativa). Em dois, houve aumento médio dos salários: no comércio, alta de 3% (mais R$ 86); na administração pública, 2,5% (mais R$ 127).

Causas

A coordenadora da pesquisa domiciliar do IBGE, Adriana Beringuy, confirma que parte dessa renda recorde pode ser atribuída ao aumento do salário mínimo, no início de janeiro, fixado em R$ 1.621.

"Você já pode ter participação nessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até mesmo ganhos reais [acima da inflação]."

No entanto, o analista destaca outro fator: no primeiro trimestre de 2026 houve uma redução de 1 milhão de pessoas no número de trabalhadores empregados em comparação com o quarto trimestre de 2025.

A diminuição do contingente foi mais concentrada nos trabalhadores informais, que ganham menos.

"Portanto, a renda média daqueles que estavam empregados no primeiro trimestre de 2026 será, comparativamente, maior do que a renda média do quarto trimestre", conclui ele.

Rendimentos

A pesquisa do IBGE também mostrou que a massa de renda dos trabalhadores foi de R$ 374,8 bilhões, também a maior registrada na série histórica.

Esse montante é a soma dos salários de todos os trabalhadores, dinheiro que acaba sendo usado para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança.

Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a folha de pagamento cresceu 7,1% acima da inflação. Isso representa, no total, R$ 24,8 bilhões a mais nas mãos dos trabalhadores em um período de um ano.

Pensão

O IBGE identificou que a percentagem de contribuintes para efeitos de pensões no primeiro trimestre de 2026 era de 66,9% dos trabalhadores empregados.

Esta é a maior proporção já registada pelo inquérito e representa 68.174 milhões de trabalhadores socialmente protegidos.

Ao contribuir para os institutos de previdência, o trabalhador adquire garantias, como aposentadoria, auxílio-doença e pensão por morte.

O IBGE considera como contribuintes empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e trabalhadores autônomos que tenham contribuído para institutos oficiais de assistência social federal (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estadual ou municipal.

Segundo Adriana Beringuy, a explicação para a falta de participação reside na falta de informalidade. "Os trabalhadores informais contribuem menos para a segurança social."

No trimestre encerrado em março, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população empregada, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores informais, ou seja, sem direitos trabalhistas garantidos.

No final de 2025, a taxa era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre de 2025 era de 38%.

O IBGE esclarece que um trabalhador informal (por exemplo, um trabalhador autônomo sem CNPJ) pode ser um contribuinte individual para o INSS.

Menor desemprego

O Pnad é o principal indicador de emprego no país e mede o comportamento no mercado de trabalho de pessoas com 14 anos ou mais, levando em consideração todas as formas de emprego, com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego foi de 6,1%, a mais baixa já registrada para o período.

De acordo com os critérios do instituto, apenas a pessoa que efetivamente procurou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa é considerada desempregada. Foram visitadas 211.000 residências em todos os estados e no Distrito Federal.

Mais de Economia

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas