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Caso Master: impacto no FGC pode chegar a R$ 60 bilhões

Antecipação dos aportes de instituições financeiras e empréstimos de assistência de liquidez a instituições liquidadas ampliam rombo do Fundo Garantidor de Crédito

Thatiany Lucena

Publicado: 08/03/2026 às 22:00

Patrimônio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é estimado hoje em cerca de R$ 122 bilhões/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Patrimônio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é estimado hoje em cerca de R$ 122 bilhões (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O caso Master, alvo da operação Compliance Zero, que investiga suspeita de lavagem de dinheiro, manipulação de balanços e vendas de carteiras de crédito fictícias, é considerado uma das maiores fraudes no sistema bancário no Brasil. A fraude, que desencadeou a liquidação de instituições financeiras do conglomerado e outras instituições ligadas ao Banco Master, geraram um prejuízo de R$ 51,8 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

No entanto, o valor previsto considera apenas os ressarcimentos que devem ser feitos aos investidores de cada instituição liquidada, no limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, no caso das liquidações do Master, Will Bank e Banco Pleno. Assim, os mais de R$ 50 bilhões não englobam os empréstimos de assistência de liquidez concedidos pelo FGC às instituições. Se esse valores forem incluídos, o total do prejuízo para o FGC pode chegar a R$ 60 bilhões, conforme estimativas do mercado.

“Esse é o maior rombo do FGC da história”, avalia o economista e planejador financeiro Danilo Miranda. Ele explica que o fundo funciona como um seguro coletivo dos bancos e é usado para cobrir o risco de crédito das instituições em caso de risco de quebra.

Contudo, nesse caso, o impacto foi além do esperado. “Cerca de R$ 52 bilhões já é algo muito expressivo porque representa aproximadamente um terço do patrimônio do do FGC e mais de um terço do caixa do fundo”, aponta.

Considerando apenas os ressarcimentos, a estimativa é de que o impacto direto ao FGC seja de cerca de 42% do patrimônio do fundo, estimado hoje em R$ 122 bilhões. A quantia equivale a quase metade do lucro dos maiores bancos do país em 2025.

Plano de recuperação

Em fevereiro, foi aprovado um plano emergencial que prevê a antecipação de até sete anos de aportes futuros e a elevação temporária das alíquotas mensais. O objetivo é recompor o rombo bilionário ao caixa do FGC. Bancos de grande porte, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, já iniciaram a antecipação de contribuições equivalentes a cinco ou sete anos.

Ainda segundo o economista, diante disso, o crédito deve ficar mais caro para o consumidor. “Se o banco tem mais custo, ele vai encarecer o empréstimo também. Então, o crédito fica mais caro e isso começa a gerar um sentimento de preocupação do investidor e menor apetite a risco”, destaca Miranda.

Ainda de acordo com ele, outro fator que pode acontecer do outro lado, é uma preocupação maior em torno das regras do sistema financeiro no país. “A tendência é que mercado ele seja mais rigoroso com os critérios de governança e a qualidade de carteira de crédito também”, aponta.

Segundo Miranda, a fiscalização deve aumentar também em relação ao nível de endividamento para as suas operações, quando o banco emite muitos CDBs a taxas muito altas. Isso foi o que aconteceu no caso do Master. “A princípio os bancos vão ter que rever as regras e o Banco Central, que é o fiscalizador, deve ter mais cuidado nessa fiscalização”, finaliza.

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