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FDNE eleva PIB per capita em média 24% no Nordeste, aponta pesquisa da Sudene

Segundo levantamento realizado pela Sudene, o custo-benefício chegou a R$ 32 de retorno econômico para cada R$ 1 investido

Diario de Pernambuco

Publicado: 24/02/2026 às 21:06

O estudo aponta o FDNE como um dos destaques para a instalação do polo automotivo, sendo responsável pelo aporte de aproximadamente 1,9 bilhão de reais entre 2014 e 2022/Foto: Paulo Paiva/Acervo DP

O estudo aponta o FDNE como um dos destaques para a instalação do polo automotivo, sendo responsável pelo aporte de aproximadamente 1,9 bilhão de reais entre 2014 e 2022 (Foto: Paulo Paiva/Acervo DP)

Municípios do Nordeste com empreendimentos financiados com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), registraram aumento médio de 24% no PIB per capita. Os dados foram divulgados em levantamento realizado pela Sudene, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, divulgado nesta terça-feira (24).

A pesquisa inclui três estudos de caso: financiamentos a parques eólicos, e em Pernambuco, o polo automotivo de Goiana e a uma parceria público-privada no setor de saneamento na Região Metropolitana do Recife.

Um dos relatórios do levantamento traz dados sobre o impacto do financiamento do FDNE sobre indicadores econômicos em Goiana após a instalação do polo automotivo. O estudo aponta o FDNE como um dos destaques para a instalação do polo automotivo, sendo responsável pelo aporte de aproximadamente 1,9 bilhão de reais entre 2014 e 2022. O montante foi utilizado como fonte de recursos para a construção do complexo industrial e a aquisição de equipamentos.

O estudo mostra dados do IBGE (2010), quando a economia de Goiana era impulsionada pelo setor de serviços, que representava 49,4% do PIB local, seguido pela indústria (30%), antes da instalação do polo automotivo. Nesse período, o PIB per capita de Goiana era de 13,3 mil reais, o décimo maior do estado. Em 2021, considerando os dados do polo, o PIB per capita da cidade alcançou 279 mil reais, registrando crescimento superior a 2.000%. Com isso, o setor industrial passou a representar 48,1% do PIB local, inserindo Goiana entre as 100 cidades com maior produção industrial do país.

O levantamento também cita a PPP entre a BRK Ambiental e a Compesa, que ocorreu em 2013, com o apoio do FDNE, para recuperar, operar e implementar novos sistemas de esgotamento sanitário na RMR ao longo de 35 anos. De acordo com o relatório sobre os impactos, o PIB per capita dos municípios passou de R$ 42,7 mil reais para R$ 82,5 mil, após a intervenção.

Nordeste

De acordo com a Sudene, o levantamento mostra que os empreendimentos apoiados elevaram o emprego, a renda e o PIB dos municípios onde estão instalados, além de gerar retorno econômico relevante para a região. O estudo considerou as operações do FDNE entre 2008, início de sua execução, e 2023, tendo como base levantamento documental, análise qualitativa, avaliação orçamentária e estudos de eficiência e impacto.

De acordo com a Sudene, o benefício estimado do FDNE sobre o PIB per capita variou entre R$ 40,2 bilhões e R$ 145,8 bilhões no período de 2008 a 2021. O custo estimado ficou entre R$ 2,8 bilhões e R$ 7 bilhões. Segundo a metodologia adotada, o impacto sobre o PIB per capita chegou a R$ 32 de retorno econômico para cada R$ 1 investido.

“O material nos ajuda a aprimorar a gestão do FDNE de maneira significativa. É importante verificar que, na prática, o fundo consegue ser tanto uma fonte de crédito atrativa para o setor produtivo como um instrumento importante para o desenvolvimento regional”, comentou o superintendente Francisco Alexandre.

No período analisado, foram realizadas 81 operações, com desembolsos que somaram R$ 13,4 bilhões. Os empreendimentos estão distribuídos em 153 municípios da área de atuação da Sudene. Mais da metade dos investimentos (53,6%) e 72% dos recursos contratados foram destinados a municípios do Semiárido. Mais de 97% das aplicações ocorreram em localidades classificadas como de baixa e média renda.

O trabalho mostra que os municípios com pelo menos uma empresa financiada pelo FDNE apresentaram aumento médio de 24% no PIB per capita municipal, o equivalente a R$ 2.986. O efeito é cumulativo, inicia-se com a implantação do empreendimento e se estende ao longo dos 13 anos observados. Também foi identificado impacto positivo na remuneração média em 4,6%, além de incremento de 0,19 e 0,21 ponto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) dos anos iniciais e finais, respectivamente.

“Os resultados demonstram que o FDNE cumpre um papel estruturante na geração de renda e na dinamização do mercado de trabalho nos municípios atendidos. Ao mesmo tempo, os resultados nos ajudam a enxergar onde podemos aprimorar critérios, priorização e monitoramento, tornando o fundo ainda mais eficiente”, destacou o diretor de gestão de Fundos, Incentivos e de Atração de Investimentos da Sudene, Heitor Freire.

 

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