Recifense teve que trabalhar 86 horas para comprar cesta básica em dezembro, diz Dieese
Valor da cesta básica no Recife custava R$ 596,10 em dezembro de 2025, ou seja, 42,45% da renda do trabalhador remunerado pelo salário mínimo
Publicado: 08/01/2026 às 19:46
Apesar da alta registrada na comparação anual, em dezembro de 2025, a cesta básica no Recife registrou queda de 0,44% em relação a novembro. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo)
O consumidor recifense, remunerado pelo salário mínimo, de R$ 1.518,00, precisou trabalhar 86 horas e 23 minutos para comprar a cesta básica. Isso significa mais de três dias de trabalho ininterruptos, além de comprometer a fatia de 42,45% da renda. Os dados foram divulgados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quinta-feira (8) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo o Dieese, a cesta básica no Recife registrou alta de 1,32% em dezembro de 2025, na comparação com dezembro de 2024. Apesar do aumento registrado na comparação anual, em dezembro de 2025, a cesta básica no Recife registrou queda de 0,44% em relação a novembro.
Ainda segundo o levandamento, a capital pernambucana é a terceira cidade do Nordeste com menor valor médio na cesta básica. As cestas mais baratas foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).
Principais produtos
Entre novembro e dezembro de 2025, seis dos 12 produtos que fazem parte da cesta básica tiveram queda nos preços médios: banana (-11,08%), açúcar cristal (-3,07%), manteiga (-2,55%), café em pó (-1,63%), feijão carioca (-1,14%) e leite integral (-0,69%).
Por outro lado, os itens que apresentaram elevação foram o tomate (10,56%), arroz agulhinha (2,36%), óleo de soja (1,69%), pão francês (0,78%), farinha de mandioca (0,51%) e carne bovina de primeira (0,32%).
Nos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, sete dos
dos 12 produtos apresentaram aumento dos preços: café em pó (45,74%), banana (12,67%), pão francês (6,14%), tomate (4,90%), óleo de soja (4,18%), carne bovina de primeira (1,47%) e manteiga (0,37%).
Nesse período, os itens que tiveram queda nos preços foram: arroz agulhinha (-28,52%), leite integral (-12,23%), açúcar cristal (-10,68%), feijão carioca (-6,22%) e farinha de mandioca (-2,30%).
Cesta básica nacional
Em dezembro de 2025, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras. As maiores altas foram registradas em Maceió (3,19%), Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%), Teresina (1,39%), Macapá (1,23%), Goiânia (1,19%) e Rio de Janeiro (1,03%).
João Pessoa foi a única capital onde o custo da cesta não variou. As maiores quedas nos preços ocorreram na região Norte do país: Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).
No mês, um dos principais responsáveis pela alta da cesta básica no país foi preço da carne bovina, que subiu em 25 das 27, com maiores altas em Maceió (4,50%), Belo Horizonte (3,49%), Manaus (3,06%) e Teresina (3,01%). Houve queda em Boa Vista (-0,59%) e Curitiba (-0,06%). Segundo o Dieese, o aumento do preço do produto foi puxado pelo aquecimento da demanda interna e externa e a oferta restrita.