Com R$ 217 milhões de investimentos, Porto de Suape inicia obras de dragagem
A estimativa é que a obra dure seis meses para ser finalizada. A dragagem amplia a capacidade do Porto de Suape em mais de 20%
Publicado: 29/08/2025 às 20:19

A intervenção permitirá que o Porto aumente em mais de 20% a sua capacidade operacional (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
O Porto de Suape deu início à uma nova etapa de ampliação da sua capacidade e competitividade no país. Nesta sexta-feira (29), foi assinada a ordem de serviço para o início das obras de dragagem do canal interno do terminal marítimo, localizado em Ipojuca, litoral Sul de Pernambuco. A intervenção permitirá que o Porto aumente em mais de 20% a sua capacidade operacional, fazendo com que possa receber navios de grande porte e com maiores cargas e reduzidos os custos de logística.
Com recursos no valor de R$ 217 milhões, sendo R$ 117 milhões do governo do estado e R$ 100 milhões do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC3), a dragagem do Porto de Suape aprofundará o tamanho do calado para 16,2 metros, com a retirada de 3,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Diante disso, o Complexo Portuário poderá receber navios de grande porte como o porta-contêineres de até 366 metros.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Guilherme Cavalcanti, a dragagem do canal interno viabiliza a maior segurança da navegabilidade e também faz com que os cais que estão do lado de dentro do porto se tornem viáveis. “Então a gente aumenta em mais de 20% da capacidade operacional do porto. Isso vai ser traduzido também em cargas. Os navios de grandíssimo porte, que antes precisavam entrar a meia carga no porto, agora vão poder entrar cheios. Melhora a logística do operador, melhora os preços do contêiner e melhora o produto na ponta para o nosso pernambucano”, destacou.
A governadora do estado Raquel Lyra e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, realizaram o acionamento da primeira draga, que já está localizada no Complexo Portuário, e depois assinaram a ordem de serviço da obra. A estimativa é que a intervenção seja concluída em seis meses.
De acordo com a governadora, a obra permitirá que Pernambuco possa avançar no transporte de granéis e grãos. “Isso permite colocar Pernambuco em novas rotas. Além dos investimentos privados que estão acontecendo, como o novo terminal de contêineres da Maersk e no segundo trem da Refinaria Petrobras, que geram mais emprego e renda para a nossa gente ", disse.
Aumento de capacidade
De acordo com o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, além de permitir que o Porto receba navios maiores, do mundo todo, a intervenção vai fazer com que o Porto amplie a competitividade.
“Com essa dragagem pronta, a gente vai ampliar as operações e viabilizar os investimentos de R$ 1,7 bilhão de reais da APM Terminals (Maersk). Só ela vai ampliar em mais de 30% as operações do Porto de Suape e depois da Transnordestina pronta, esperamos mais do que dobrar as operações aqui no Porto de Suape”, disse o ministro.
Na avaliação do ministro, esse empreendimento também vai gerar milhares de empregos e renda para a população pernambucana, sendo o maior investimento privado da história do porto e um marco para o futuro logístico do estado. “Com isso, vamos poder ampliar as exportações e importações no Estado, colocando Pernambuco, mais uma vez, na rota da competitividade internacional do escoamento da produção dos portos brasileiros”, apontou.
O presidente do Porto de Suape, Armando Monteiro Bisneto, detalhou que toda a área interna portuária passa por um processo de assoreamento natural, onde há uma profundidade natural. Nesse local, a draga funciona retirando a terra do leito do canal interno.
“Isso ocorre para que a gente possa receber os maiores navios do mundo. Esse processo vai abrir o caminho para a expansão futura do porto, porque vamos chegar a novos cais, o cais 6 e o 7, que vão demandar uma nova dragagem”, afirmou Monteiro.
Segunda etapa da obra
O consórcio para a realização da dragagem será realizado por meio de duas empresas. A primeira draga, que já está em atividade no Porto, é da empresa holandesa Van Oord. Já a segunda, a Jan de Nul, empresa Bélgica, chega ao local em 15 de setembro.
De acordo com o governo do estado, na segunda etapa da intervenção será realizada a dragagem e a manutenção da bacia de evolução e dos Píeres de Granéis Líquidos (PGLs) 3A e 3B, que serão aprofundados até 18,5 metros. Com isso, o Porto de Suape terá, entre os portos públicos, o maior calado operacional para navios de contêineres e o segundo maior do país para granéis líquidos.
Os sedimentos removidos serão encaminhados para uma área de bota-fora licenciada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), com todas as autorizações necessárias concedidas.
Transnordestina
A governadora Raquel Lyra destacou também que, na primeira quinzena de setembro, o ministro Renan Filho estará em agenda no estado para tratar sobre o trecho pernambucano da Transnordestina. De acordo com a governadora, a meta é reiniciar as obras da ferrovia ainda durante esse ano.
“Há 450 milhões no orçamento do governo federal dentro da Infra S.A, que é a empresa que vai tocar a obra no primeiro momento, para garantir a retomada do investimento com dinheiro público. Ao mesmo tempo, estamos terminando o projeto executivo da própria ferrovia aqui dentro do Porto Suape, que é um dos gargalos que existia para garantir que esses investimentos possam acontecer de maneira contínua”, afirmou Raquel.

