Dois projetos portuários concorrem por espaço em Arroio do Sal, no Rio Grande do Sul, a cerca de 5 quilômetros um do outro. O Porto Meridional fica na região de Rondinha, enquanto o Porto Litoral Norte está previsto para Arroio Seco, na Avenida Interpraias, número 10.700, e os dois tramitam em processos regulatórios independentes.
Apesar da proximidade e da sobreposição de categorias de carga, os dois empreendimentos foram desenhados com estratégias diferentes. O Porto Meridional segue o modelo tradicional integrado à costa. Já o Porto Litoral Norte aposta na configuração offshore, mais profunda. A escolha da estrutura marítima é o principal ponto de disputa entre os projetos pelo mercado regional de movimentação de cargas.
Onde ficam e quem está por trás
O Porto Meridional, localizado próximo à Praia de Rondinha Nova, passa atualmente pelo processo de licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama. Por sua vez, o Porto Litoral Norte tramita em processo específico na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos.
Os dois empreendimentos têm grupos diferentes à frente e seguem caminhos regulatórios próprios para viabilizar um porto de grande porte no município.
Estrutura: costa ou mar aberto
O Porto Meridional foi concebido com estrutura marítima integrada a um complexo terrestre. Conforme publicação técnica de 2026, o projeto prevê nove berços de atracação e calado de 17 metros na maré zero.
Já o Porto Litoral Norte segue o modelo offshore, com a estrutura marítima projetada a cerca de 2,8 quilômetros da costa e calado de 30 metros. Essa profundidade permite a operação com embarcações de maior porte.
O projeto de Arroio Seco prevê uma área terrestre de aproximadamente 150 hectares para um complexo industrial e um terminal de passageiros. Também inclui uma proposta de conexão ferroviária com Terra Roxa, no Paraná, para integrar o empreendimento a uma área logística que ultrapassa os limites do Rio Grande do Sul. A configuração marítima mais profunda representa uma estratégia diferente para a movimentação de cargas no litoral regional.
Tipos de carga: grande sobreposição
Os dois portos pretendem movimentar cargas semelhantes, e o Porto Meridional prevê granéis sólidos (grãos e fertilizantes), granéis líquidos, gás natural liquefeito, cargas conteinerizadas e passageiros.
Na documentação da Antaq, o Porto Litoral Norte tem previsão de movimentar carga geral, cargas conteinerizadas, granéis sólidos, líquidos e gasosos, além de passageiros. A principal diferença não está no tipo de carga que ambos manipulam, mas na forma como cada projeto foi desenhado para movimentá-la.
Capacidade e profundidade: números que definem
O Porto Meridional tem capacidade instalada projetada de 53 milhões de toneladas por ano, com calado de 17 metros na maré zero. O Porto Litoral Norte projeta capacidade de 43,9 milhões de toneladas por ano, mas com calado de 30 metros, e a maior profundidade permite atracar navios de maior porte.
A diferença de calado define o tipo de embarcação que cada porto pode receber e, consequentemente, sua competitividade no mercado regional. O Porto Meridional ainda depende do avanço do licenciamento ambiental federal.
No Porto Litoral Norte, a decisão foi encaminhada ao Ministério de Portos e Aeroportos para os procedimentos necessários à celebração do contrato de adesão. Os dois projetos ainda dependem de novas etapas antes de qualquer construção ser autorizada.










