As areias da Ilha do Cajual, no Maranhão, guardam fósseis de um gigantesco predador que habitou a região há aproximadamente 95 milhões de anos. Os fragmentos encontrados pertencem ao Oxalaia quilombensis, espécie considerada o maior dinossauro carnívoro já identificado em território brasileiro e um dos grandes representantes dos predadores do período Cretáceo.
Pesquisadores localizaram ossos cranianos na Laje do Coringa, depósito fossilífero na Ilha do Cajual, no município de Alcântara. A ação das marés e da erosão expõe com frequência rochas do período Cretáceo. Depois de anos de análise, os pesquisadores confirmaram que os restos pertenciam a uma espécie até então desconhecida.
Um achado formado por apenas dois ossos
Diferentemente do que muitos imaginam, a identificação do Oxalaia não veio de um esqueleto completo. Os cientistas trabalharam com fragmentos do crânio: a parte anterior do focinho e um fragmento da maxila, osso que compõe a parte superior da boca.
Antes de divulgar qualquer conclusão, os cientistas compararam esse material em detalhes com outros fósseis já catalogados. A classificação como espinossaurídeo, grupo de carnívoros com crânio alongado e adaptações para caça junto à água, só veio depois dessa checagem cuidadosa.
Como a pesquisa chegou à nova espécie
A publicação que oficializou a descoberta saiu em 2011 nos Anais da Academia Brasileira de Ciências e está disponível para consulta. O estudo detalhou as características dos materiais e apresentou o animal como uma nova espécie de espinossaurídeo.
Fragmentos cranianos, mesmo pequenos, podem conter detalhes anatômicos suficientes para apontar uma espécie nova — desde que examinados com rigor e situados corretamente na camada de rocha em que foram encontrados. Qualquer conclusão precipitada corre o risco de atribuir ao animal características que os ossos sozinhos não sustentam.
As dimensões do predador brasileiro
Com base nos ossos recuperados, os cientistas estimaram um comprimento entre 12 e 14 metros e peso entre 5 e 7 toneladas. Esses números bastaram para colocar o Oxalaia entre os maiores carnívoros já identificados em solo brasileiro.
O comprimento e a massa não foram obtidos de um corpo inteiro preservado, mas reconstruídos cientificamente a partir de ossos parciais do crânio. São, portanto, projeções baseadas em proporções anatômicas conhecidas de parentes próximos do animal.
Um focinho que lembra um crocodilo
A forma alongada e estreita do focinho aproxima o Oxalaia dos répteis que caçam presas na água, como os crocodilos atuais. Esse formato sugere que o animal dependia de ambientes litorâneos para se alimentar, ao contrário de outros carnívoros terrestres da mesma época.
Fósseis com características semelhantes já foram descritos em outras partes do mundo, principalmente no norte da África. As características dos fósseis maranhenses sugerem uma relação mais próxima com formas africanas do que com outros espinossaurídeos conhecidos na América do Sul. Essa hipótese ajuda a investigar como esses animais se diversificaram e ocuparam diferentes ambientes durante o Cretáceo.
A Ilha do Cajual reúne fósseis de diferentes grupos de animais, não apenas de uma espécie. Pesquisas na região também identificaram dinossauros herbívoros e carnívoros, peixes e outros vertebrados, além de restos vegetais.
Esses registros indicam que o território maranhense possuía ambientes muito diferentes dos atuais e que cada novo fóssil encontrado pode acrescentar informações importantes sobre a vida no Cretáceo.










