Uma das principais marcas do mercado automotivo mundial, a Toyota irá construir na China o primeiro SUV elétrico da Lexus. Historicamente, a montadora lançava no Japão os veículos em desenvolvimento antes de expandi-los para outros mercados. A fábrica que a empresa ergue em Xangai receberá investimento de 14,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 2 bi), e a produção chinesa será uma rara exceção.
Os primeiros carros devem sair da linha de montagem em 2027. A fábrica também produzirá baterias de nova geração desenvolvidas pela própria Toyota, no parque industrial chinês. A escolha reforça o peso que o mercado chinês ganhou nas decisões estratégicas da montadora japonesa.
O peso da China na estratégia da Toyota
Em 2025, foram vendidas 8,57 milhões de unidades no país. O número representou 60% de todas as vendas globais de veículos elétricos, e projeções apontam 11,41 milhões de unidades em 2030.
Diante desse volume, a Toyota intensifica os investimentos em eletrificação na China. O lançamento do SUV elétrico da Lexus ocorre em um mercado local com forte demanda por esse tipo de veículo.
A técnica gigacasting como diferencial
O gigacasting molda em uma única peça de alumínio o que antes exigia múltiplos componentes da carroceria. A tecnologia reduz o peso e simplifica etapas de montagem. Estruturas mais leves tendem a aumentar a autonomia e a rigidez do chassi.
Esse método permite acelerar a fabricação, algo essencial em um mercado no qual rivais chinesas lançam modelos completos em cerca de dois anos. A meta da Toyota é ampliar a produção gradualmente e testar a resposta do consumidor antes de aumentar os volumes.
Mudança na lógica de expansão global
Japão e Estados Unidos continuam prioritários para modelos híbridos e a combustão, enquanto a China concentra os investimentos da marca em eletrificação. Um SUV de entrada com telas da Huawei Technologies e um sedã já compõem o portfólio elétrico local, que agora inclui o modelo premium da Lexus.
Outras montadoras seguem caminho parecido diante da pressão chinesa por lançamentos rápidos. A Volkswagen planeja lançar 50 modelos na China até 2030, enquanto a Nissan reduz seu ciclo de desenvolvimento a 26 meses, e esses movimentos intensificam a disputa.










