A Microsoft e o Facebook nasceram de dois abandonos: Bill Gates e Mark Zuckerberg, fundadores das duas gigantes da tecnologia, deixaram a Universidade de Harvard antes de terminar os cursos para tocar seus negócios. Já o fundador da Apple, Steve Jobs seguiu caminho parecido, saindo do Reed College logo após o primeiro semestre, embora tenha continuado frequentando aulas como ouvinte antes de fundar a Apple.
No Brasil, a lista Forbes de Bilionários Brasileiros de 2026 mostra que essa trajetória também se repete por aqui. Empresários de setores como agronegócio e tecnologia ergueram fortunas bilionárias sem nunca ter concluído a graduação, seja por opção própria ou porque a rotina de trabalho começou ainda na adolescência.
Os irmãos que comandam a JBS
Os irmãos Joesley Mendonça Batista e Wesley Mendonça Batista controlam a JBS, uma das maiores processadoras de carne do mundo, e aparecem na 17ª posição do ranking de bilionários do Brasil, cada um com fortuna estimada em R$ 21,9 bilhões.
Aos 54 e 56 anos, respectivamente, nenhum dos dois passou pelo ensino superior. Eles deixaram os estudos na adolescência para apoiar o pai, José Batista Sobrinho, na expansão do frigorífico da família em Anápolis (GO).
O crescimento do grupo ganhou força a partir dos anos 2000. Com aquisições como a americana Swift & Co., comprada por US$ 225 milhões (R$ 1,15 bilhão), e outro negócio de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões) no mesmo período.
Mais recentemente, a companhia arrematou metade da Mantiqueira, uma das maiores produtoras de ovos do país, e viu o PicPay — fintech ligada ao grupo J&F, controlador da JBS — estrear na Nasdaq levantando cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,57 bilhões). Com valuation próximo de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,85 bilhões).
O banqueiro que largou a Arquitetura
Julio Rafael de Aragão Bozano tentou o curso de Arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas não chegou a se formar. Ainda assim, tornou-se um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro nacional, hoje com fortuna de R$ 12,6 bilhões e a 29ª colocação entre os bilionários brasileiros, aos 90 anos.
Ele ficou conhecido como “barão do aço” nos anos 1990, período em que participou ativamente das privatizações de siderúrgicas no país. Vendeu o Banco Bozano, Simonsen ao grupo espanhol Santander no ano 2000 e retornou ao setor financeiro em 2013 à frente da Bozano Investimentos, hoje chamada Crescera Capital. Fora do mundo dos negócios, mantém uma criação de cerca de 300 cavalos puro-sangue.
Do interior do Maranhão à liderança do setor
Marcos Molina dos Santos comanda a MBRF e figura na 59ª posição do ranking nacional, com patrimônio avaliado em R$ 6,1 bilhões. Aos 56 anos, ele também construiu sua trajetória sem diploma universitário, seguindo um padrão comum entre os empresários citados: a experiência prática substituiu a sala de aula na formação de quem hoje comanda companhias avaliadas em bilhões de reais.
Esses casos reforçam que setores tão distintos quanto proteína animal, mercado financeiro e tecnologia têm espaço para trajetórias sem passagem pela graduação. O que aproxima esses nomes é a decisão de priorizar a experiência direta no negócio da família ou no mercado desde cedo, em vez de seguir o caminho convencional até um diploma.










