Quatro escritores refletem sobre pedidos de desculpas que gostariam de ter feito no passado. Os relatos mostram como crianças e adolescentes, muitas vezes enfrentando os próprios problemas, causaram dor a pessoas que mereciam respeito.
Olivia Petter lembra-se de si mesma como aluna problemática na sexta série, descrevendo seu comportamento na época como “um terrorista emocional”. Junto com a melhor amiga, ela pregava uma série de peças na professora conhecida como Senhorita Hill.
As duas levavam aranhas para a sala de aula, escondiam-se em armários atrás da mesa da professora para assustá-la durante as aulas e usavam torneiras com defeito para inundar o banheiro. Embora nenhum desses atos configurasse assédio, o comportamento era frequente e cruel.
O peso da falta de compreensão
Petter reconhece que, na época, não entendia o impacto de suas ações na vida profissional da Senhorita Hill. Hoje, com amigos que trabalham como professores, ela sente uma profunda vergonha e culpa. O comportamento destrutivo de Petter e da amiga era alimentado pelo tédio e por um sentimento de privilégio. Mas havia razões que as meninas não conseguiam compreender: ambas eram intimidadas e não se sentiam incluídas entre os colegas.
Petter enfrentava dificuldades: seus pais haviam se divorciado, o pai dividia seu tempo entre Londres e os Estados Unidos, e ela sofria de insônia na infância. Ao mesmo tempo, a Senhorita Hill, uma professora recém-qualificada, frequentemente as repreendia por não alcançarem as notas esperadas em uma escola altamente competitiva.
Do ponto de vista infantil, aquilo parecia uma crueldade pessoal. Na verdade, a Senhorita Hill era uma professora que agia sob pressão para garantir que os alunos atingissem certos padrões. As meninas decidiram retaliar e “ser má de volta”.
Reconhecimento e reconciliação tardia
Petter lamenta o comportamento que teve com a amiga naquela época. Hoje, compreende que ninguém merece ser humilhado no local de trabalho, especialmente por crianças com tempo ocioso. Seu pedido de desculpas é direto: lamenta as almofadinhas de brincadeira, o roubo de biscoitos e as tentativas de constrangimento que mascaravam sua própria inadequação.
Os relatos dos outros escritores revelam padrões semelhantes: comportamentos prejudiciais muitas vezes enraizados em dificuldades pessoais que não eram reconhecidas, e arrependimentos que surgem apenas quando a maturidade oferece perspectiva.
As histórias mostram como a falta de empatia na infância e na adolescência pode deixar efeitos duradouros. Mostram também como o reconhecimento sincero dos erros pode ser um passo em direção à paz pessoal e a uma compreensão mais profunda do impacto de nossas ações sobre os outros.










