Sete grupos políticos do Flamengo protocolaram um pedido formal apontando conflito de interesses na atuação do vice-presidente de Administração, Marcos Motta. O documento deu entrada na sede do clube, na Gávea, no dia 20 de agosto, e teve como um dos destinatários o presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP.
Também foram notificados o presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Lomba, e o presidente da Assembleia Geral, Gustavo Fernandes. Assinam a representação as correntes Flafut, NossoFLA, PróFla, Sempre Flamengo, Sinergia, Vanguarda e Vencer, que veem incompatibilidade entre a atividade de Motta como sócio do escritório Bichara e Motta Advogados e o cargo que ele ocupa na diretoria rubro-negra.
Segundo eles, o acesso a informações estratégicas do clube cria uma situação incompatível com a consultoria que presta a outras equipes.
Conflito de interesses apontado contra vice do Flamengo
A representação cita exemplos como a atuação do escritório de Motta na implementação da SAF do Santos e a negociação do volante Zé Lucas, que deixou o Sport para defender o Cruzeiro.
Para os autores do documento, ocupar simultaneamente um cargo de comando no Flamengo e prestar esse tipo de consultoria a clubes concorrentes oferece acesso indevido a dados sensíveis. Os sócios destacam que Motta teria contato com informações confidenciais sobre orçamento, salários, limites financeiros para negociações e outras estratégias internas do clube.
Na visão deles, isso coloca o Rubro-Negro em desvantagem competitiva diante de outras equipes. O documento classifica como um conflito gravíssimo e inaceitável de interesses o exercício simultâneo de cargos na diretoria flamenguista e da consultoria técnica em SAF e negociação de atletas para outros clubes.
O que os Sócios pedem
A primeira exigência é que Motta apresente esclarecimentos formais sobre seus vínculos comerciais com outras equipes. Os grupos também solicitam acesso aos contratos ligados às atividades profissionais mencionadas na representação. Até a publicação da reportagem, Motta não havia se manifestado publicamente sobre o assunto.
O pedido mais direto é um afastamento preventivo de até 60 dias das funções de vice-presidente de Administração, enquanto se aguarda uma decisão definitiva sobre o caso. A solicitação se baseia no artigo 59 do Estatuto Social do Flamengo. Os grupos entendem que esse período seria suficiente para investigar e resolver a questão sem prejudicar as operações do clube.
A comparação com Rodolfo Landim
A representação recupera o precedente de Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo que ficou impedido de disputar cargos após a reforma do Estatuto Social aprovada na gestão atual. Durante a discussão dessas mudanças, Bap afirmou que deveria haver exclusividade ao Flamengo para ocupantes de cargos de cúpula.
Para os sete grupos, aplicar a mesma regra ao vice-presidente de Administração é questão de coerência interna. O argumento é que não há como perseguir Landim ignorando Motta — seria aplicar dois pesos e duas medidas. Os autores sustentam que o Direito e a probidade associativa não admitem a aplicação seletiva das normas estatutárias.
O pedido ainda precisa passar pela análise dos órgãos competentes do Flamengo. Os sócios aguardam uma decisão sobre o afastamento preventivo e os esclarecimentos solicitados.










