Um dinossauro identificado a partir de ossos achados durante obras no Maranhão está entre os três maiores répteis já encontrados no país. A pesquisa que confirmou o achado foi conduzida por um professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco e resultou na criação de um novo gênero e uma nova espécie para a ciência brasileira.
Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o animal viveu há cerca de 100 milhões de anos e pertence ao grupo dos titanossauriformes, parentes próximos, mas distintos, dos titanossauros. O esqueleto foi retirado do solo em Davinópolis, no sudoeste maranhense, durante a construção de um terminal ferroviário da Brado Logística, em 2021.
O trabalho de descrição da espécie foi publicado no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology e trouxe outra revelação: a existência de um parentesco entre o gigante brasileiro e uma espécie encontrada na Espanha, sinal de que esses animais podem ter cruzado continentes inteiros antes de chegar à América do Sul.
Dinossauro gigante identificado em solo maranhense
O professor do Colegiado de Geologia da Univasf, Elver Mayer, esteve à frente dos trabalhos que resultaram na identificação da nova espécie. Segundo ele, a publicação representa um marco porque formaliza cientificamente a existência do animal e amplia o repertório de dinossauros já catalogados no território brasileiro.
O nome escolhido carrega um significado direto com o local da descoberta. “Tocantinensis” remete ao estado do Tocantins, enquanto “Dasos” vem do grego e significa floresta, uma referência ao ambiente amazônico e à vegetação típica da região maranhense onde os ossos foram encontrados.
Ligação entre Brasil e Espanha
A espécie espanhola Garumbatitan morellensis, descrita em 2023, apresenta idade geológica um pouco mais antiga que a do Dasosaurus tocantinensis e compartilha características anatômicas com o animal brasileiro, como um conjunto específico de cristas nas vértebras.
O Dasosaurus tocantinensis tem vértebras caudais com três estrias de cada lado, traço que também aparece no fóssil espanhol. Modelagens biogeográficas sugerem que o grupo desses dinossauros se originou na Europa e que seus descendentes se espalharam por rotas que ligavam os continentes, passando pelo norte da África até alcançar a América do Sul entre 140 e 120 milhões de anos atrás, período em que essas massas de terra ainda estavam bem mais próximas umas das outras.
O que a descoberta ainda pode revelar
Para Mayer, identificar a espécie é só o primeiro passo de uma investigação mais ampla sobre o animal. Ele destaca que o processo de escavação e a análise detalhada do esqueleto vão ajudar a entender como o dinossauro morreu. E de que forma seus ossos acabaram preservados no registro geológico ao longo de milhões de anos.
Essas respostas, segundo o professor, dependem de estudos futuros que vão se apoiar nesse trabalho inicial de identificação e descrição da espécie. Os fósseis do Dasosaurus tocantinensis seguem sob análise, e a expectativa é que novos detalhes sobre sua origem e seu comportamento ainda venham à tona.










