Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) têm 50% das intenções de voto cada no segundo turno, considerando apenas os votos válidos. Na apuração oficial, porém, o empate só ocorreria se ambos encerrassem a contagem com exatamente o mesmo número de votos nas urnas.
A legislação eleitoral já prevê um desempate automático para esse cenário, sem nova votação. O critério está definido no Código Eleitoral e leva em conta a idade dos concorrentes, não o desempenho da campanha.
O critério de desempate previsto em lei
O artigo 110 do Código Eleitoral determina que, em caso de empate exato entre dois candidatos, vence o mais velho. A regra vale tanto para a disputa pela Presidência quanto para definir quem avança ao segundo turno em caso de empate pelo segundo lugar no primeiro turno.
No confronto atual, essa norma favoreceria Lula, nascido em 27 de outubro de 1945. Flávio Bolsonaro nasceu em 30 de abril de 1981 e ficaria em desvantagem em um empate exato na contagem final.
Por que o primeiro turno funciona diferente
Uma eleição só termina no primeiro turno quando algum candidato obtém mais da metade dos votos válidos. Sem maioria absoluta, os dois mais votados avançam para o segundo turno, mesmo que haja empate técnico entre eles.
Se dois candidatos empatarem pela segunda vaga, a Constituição aplica o mesmo critério de idade usado no desempate final. Avança quem nasceu primeiro, sem necessidade de sorteio ou nova votação.
Como o Datafolha chegou ao empate técnico
O levantamento apresenta os números da disputa em dois recortes. Entre os votos válidos — cálculo que exclui brancos. Nulos e indecisos e é usado pela Justiça Eleitoral para apurar o vencedor —, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados, com 50% cada um.
Na contagem geral, que inclui todas as respostas, Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula, 46%. Outros 5% dos entrevistados dizem que vão anular ou votar em branco, e 2% continuam indecisos pouco antes da votação. O empate de 50% a 50% entre os votos válidos é uma estimativa feita pela redistribuição: como brancos e nulos ficam fora da conta.
O percentual de cada candidato aumenta quando o instituto considera apenas os votos válidos.
Diferença entre pesquisa e resultado da urna
A margem de erro de uma pesquisa de opinião não se aplica à apuração eleitoral, que soma votos reais. Para o empate acontecer de fato, os dois candidatos precisariam terminar a contagem oficial com o mesmo total de votos válidos — algo mais raro do que um empate estatístico em uma amostra.
A pesquisa ouviu 2.520 pessoas entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026.
O papel de brancos, nulos e indecisos
A Justiça Eleitoral apura o resultado considerando apenas os votos válidos recebidos pelos candidatos no dia da votação. Votos em branco e nulos entram na contagem geral da urna, mas ficam fora do cálculo que define o vencedor no primeiro e no segundo turno.
O voto em branco ocorre quando o eleitor aperta a tecla correspondente e confirma sem escolher um nome. O voto nulo ocorre quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhum candidato. A urna avisa isso antes da confirmação, e nenhum dos dois tipos de voto é repassado a partidos ou candidatos.
Mesmo que, somados, superem a votação dos concorrentes, brancos e nulos não anulam o pleito. Uma nova eleição só se justificaria por decisão judicial, nunca pelo volume desses votos nas urnas.










