Pedro Moreira Salles, nascido em Washington em 1959, ocupa hoje a sexta posição entre os bilionários brasileiros de 2026, segundo a Forbes, com patrimônio estimado em R$ 46,6 bilhões. O valor supera os R$ 38 bilhões que o colocavam na sétima colocação no levantamento anterior da revista.
Herdeiro de Walther Moreira Salles, banqueiro e diplomata que construiu o império financeiro da família, Pedro teve uma formação distante dos bancos antes de assumir cargos de comando. Entre viagens, mudanças de país e cursos de Economia e História, Pedro percorreu até o comando do Itaú Unibanco um caminho mais longo e variado do que sugere o sobrenome.
Uma formação longe do banco
Entre 1964 e 1968, Pedro aprendeu a ler e escrever na França, tendo o francês como primeiro idioma de alfabetização. De volta ao Rio de Janeiro, estudou no Liceu Franco-Brasileiro até os 17 anos, quando ingressou no curso de Economia da PUC-Rio.
Uma viagem pelos Estados Unidos ao lado do pai para visitar universidades mudou os planos iniciais. Pedro optou por estudar na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, onde Economia e História passaram a integrar sua formação, distante do percurso bancário tradicional.
Depois, cursou mestrado em Relações Internacionais em Yale, onde teve aulas com o brasilianista Albert Fishlow e contato com Juan Linz, especialista em estudos sobre democracia.
O desvio pela política e o retorno aos negócios
Uma viagem ao Brasil em 1982 levou o jovem recém-formado ao processo de redemocratização do país. Ele se envolveu nas campanhas políticas daquele período e adiou os planos de carreira corporativa.
Pedro voltou aos negócios da família em 1983, na Brasilpar, onde teve sua primeira experiência profissional, ainda breve. Depois, mudou-se para a Fazenda Cambuhy, em Matão, no interior paulista, para reorganizar a gestão do agronegócio herdado.
Da Fazenda à Faria Lima
A experiência no campo funcionou como um treinamento fora dos escritórios bancários. Antes de assumir um cargo de comando no principal ativo financeiro da família, Pedro passou por uma operação ligada à terra e à produção agrícola.
Pedro voltou a São Paulo em 1985 e passou a cuidar da holding Brasil Warrant ao lado do irmão mais velho, Fernando Moreira Salles. As participações na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, na Aracruz Celulose e no Club Med indicavam que o patrimônio da família ia muito além do Unibanco.
A ascensão dentro do Unibanco
A entrada no conselho de administração do Unibanco, em 1989, iniciou a fase mais decisiva da carreira de Pedro. Nos anos seguintes, a estabilização econômica e a abertura do mercado redesenharam o sistema financeiro brasileiro.
Depois da intervenção do Banco Central no Banco Nacional, Pedro coordenou diretamente, em 1995, a compra dos ativos da instituição. A operação se tornou uma das mais marcantes da consolidação do setor.
Dois anos mais tarde, Pedro assumiu a presidência do conselho de administração do Unibanco, cargo que ocupou até 2004. Naquele ano, deixou a função de representante da família para se tornar executivo à frente do negócio.
O comando do banco e a fusão histórica
Pedro assumiu o posto de CEO do Unibanco em 2004 e permaneceu nele até 2008. O período foi marcado pela busca de escala em um mercado cada vez mais dominado por gigantes nacionais e estrangeiros. Naquele mesmo ano, a fusão entre Itaú e Unibanco transformou o banco que Pedro ajudou a formar.
A trajetória de Pedro não se limitou ao papel de banqueiro. Hoje, ele ocupa uma posição que vai além da de executivo ou conselheiro.










