Produtos de melatonina em fita ou filme sublingual ganharam popularidade nas redes sociais com a promessa de ajudar a induzir o sono rapidamente. No entanto, a Anvisa não autorizou a venda desse formato no país. A agência ainda não analisou esse tipo de apresentação nos quesitos segurança, qualidade e eficácia.
A venda de melatonina como suplemento alimentar é liberada no país desde 2021, nas formas de comprimido, gota ou goma, mediante o cumprimento das exigências estabelecidas pela Anvisa. A norma vale apenas para maiores de 19 anos e fixa em 0,21 mg a quantidade máxima diária permitida.
Segundo a Anvisa, esse tipo de produto precisa passar por uma análise específica antes de ser liberado, justamente para evitar riscos como a superdosagem.
Por que a via sublingual preocupa a Anvisa
Produtos que se dissolvem sob a língua têm mecanismos de absorção diferentes dos comprimidos tradicionais e, por isso, exigem testes próprios. Os fabricantes nunca realizaram esses testes. Em fevereiro de 2026, a Anvisa recolheu e proibiu a comercialização do produto “Melatonina Sublingual em Gotas Sabor Maracujá”, fabricado pela Vita Be Cosméticos Ltda (marca Renova Be), conforme a Resolução 758.
Além do recolhimento, a resolução proibiu a fabricação, a venda, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso do produto. A empresa havia feito promessas terapêuticas não aprovadas: alegou que o produto “previne insônia” e “regula o ciclo do sono”. Essas reivindicações excedem o que é permitido a um suplemento alimentar e não têm comprovação científica.
Efeito questionável da dose permitida
Mesmo para as apresentações autorizadas, a Anvisa afirma que não há evidência de efeito direto da dose de 0,21 mg por dia na regulação do sono, segundo informou o UOL. Para alegar benefício relacionado ao ciclo do sono, os fabricantes precisam comprovar, por meio de estudos científicos robustos, que essa dose produz o efeito prometido.
Os rótulos da melatonina precisam informar que gestantes, lactantes e crianças não devem consumir o produto. Quem realiza atividades que exigem atenção constante, como dirigir, precisa ter cautela, já que o suplemento afeta o nível de alerta.
Como se proteger ao comprar
A Anvisa recomenda desconfiar de produtos que prometem “acabar com insônia” ou fazer dormir “em minutos”. Confirme no rótulo se o produto é apresentado como suplemento alimentar e se a dose não passa de 0,21 mg por dia.
A agência também recomenda evitar produtos importados ou vendidos sem procedência, que podem conter doses acima do permitido no Brasil. Quando a insônia persiste, procure um profissional de saúde: ela pode ter diversas causas e exigir tratamentos específicos, e informações oficiais estão disponíveis no Portal da Anvisa.










