A sucuri, popularmente chamada de anaconda, está entre as espécies mais marcantes da fauna do Brasil e ganhou destaque em histórias, produções cinematográficas e no imaginário coletivo, onde costuma ser retratada como uma criatura aquática assustadora. De acordo com o Instituto Butantan, o maior indivíduo já registrado alcançou sete metros de comprimento.
Há relatos de sucuris ainda maiores na natureza, mas nenhum desses animais teve o comprimento comprovado por medição formal. Além de designar uma cobra, o nome sucuri identifica um gênero com espécies distribuídas por diferentes regiões da América do Sul.
Cinco espécies, três no Brasil
O gênero Eunectes abriga cinco espécies de sucuri, três delas encontradas no Brasil. A sucuri-verde do sul é a maior e pode pesar até 200 quilos. Ela habita diversos biomas brasileiros, da Amazônia ao Cerrado e a trechos da Mata Atlântica.
A sucuri-malhada ocupa a Ilha de Marajó e áreas do Pará e Amapá, enquanto a sucuri-amarela, conhecida também como sucuri-do-pantanal, prefere o ambiente alagado dessa região. Fora do Brasil, a sucuri-de-beni existe apenas na Bolívia.
A sucuri-verde do norte, descoberta mais recentemente em fevereiro de 2024 após análises de amostras da Amazônia equatoriana, espalha-se por Equador, Colômbia, Venezuela, Trinidad, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Caça sem veneno, 100% carnívora – O que isso pode afetar nos riscos aos seres humanos?
Apesar de seu tamanho impressionante, a sucuri não é peçonhenta, conforme informou o Instituto Butantan. Seu método de caça consiste em enrolar o corpo ao redor da presa e apertar até provocar asfixia ou parada cardiorrespiratória.
A alimentação é inteiramente carnívora e inclui mamíferos, peixes, aves e outros répteis. De comportamento semiaquático, a sucuri se move com destreza na água e costuma ser avistada em rios, brejos e pântanos, onde há alimento em abundância.
Comparativamente, a píton-reticulada supera a sucuri como a maior cobra selvagem já medida, enquanto em cativeiro a píton Medusa atingiu 7,67 metros, ainda maior que qualquer sucuri documentada.
Ameaças e perda de habitat
A ação humana representa uma das principais ameaças à sobrevivência dessa serpente. Além do abate direto, a ocupação territorial reduz tanto o habitat disponível quanto a quantidade de presas necessárias para sustentar a espécie em seu ambiente natural.
Em Bonito, Mato Grosso do Sul, uma sucuri conhecida como Ana Júlia, que media quase 7 metros, foi encontrada morta no rio Formoso — um exemplo das pressões que essas cobras enfrentam.
As sucuris vivem quanto tempo na natureza?
Uma sucuri pode viver até 30 anos. Como atinge a maturidade sexual por volta dos seis anos, uma fêmea adulta pode se reproduzir durante boa parte da vida. Por isso, a morte de uma fêmea grande e saudável como Ana Júlia representa uma perda significativa para a população local: ela ainda teria muitos anos produtivos pela frente.










