Sete espécies de insetos foliformes, animais capazes de imitar folhas com perfeição, foram reconhecidas formalmente pela ciência pela primeira vez neste mês. A pesquisa que identificou as espécies foi conduzida pela Universidade de Göttingen, na Alemanha, em parceria com a Universidade da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos. O trabalho foi publicado na revista científica Zookeys. Com isso, o Diário de Pernambuco vai te apresentar os reis da camuglagem entre as espécies.
Esses insetos pertencem à ordem Phasmatodea, que reúne animais capazes de reproduzir com exatidão o formato, a textura e até as nervuras de folhas e galhos. A camuflagem funciona como defesa contra predadores, mas também dificulta o estudo desses animais.
Genética revela o que os olhos não veem
Em entrevista à revista Galileu, Royce Cumming, especialista em insetos-folha da Universidade da Cidade de Nova York, disse que existem cerca de 3.500 espécies conhecidas parecidas com galhos ou folhas. Mas pouco mais de 100 foram descritas formalmente como insetos-folha. A semelhança entre indivíduos de espécies distintas dificultava a classificação baseada apenas no visual.
Sven Bradler, outro autor do estudo, disse à mesma revista que a aparência desses insetos os torna únicos dentro de uma família tão diversa. Para superar essa barreira, a equipe recorreu à análise genética dos espécimes e reuniu material de coletas em campo, acervos de museus, registros de colecionadores e observações de voluntários.
Espécies indianas escondiam identidade própria
A combinação dos dados revelou que insetos até então considerados parte de uma espécie espalhada pelo Sudeste Asiático eram, na verdade, uma população exclusiva da Índia. Sarah Bank-Aubin, que liderou o projeto, disse à revista Galileu que indivíduos de espécies diferentes costumam ser agrupados por engano por causa da semelhança externa.
O levantamento também permitiu catalogar espécimes do Vietnã, de Brunei, da Indonésia e das Filipinas, ampliando o mapa de distribuição desses insetos foliformes pela Ásia.
Bank-Aubin também alertou que a descoberta muda o peso de cada perda ambiental na região: o desaparecimento de uma população na Índia representaria a extinção de uma espécie inteira, e não apenas de um grupo isolado dentro de uma espécie já abundante em outros países.
Entre os insetos que mais impressionam pela capacidade de camuflagem estão o bicho-pau, cujo corpo alongado se confunde com galhos secos; o louva-a-deus-folha-morta, que apresenta aparência semelhante à de uma folha caída; e o louva-a-deus-orquídea, conhecido pelas cores brancas e rosadas que lembram uma flor. O bicho-folha também se destaca por reproduzir a coloração e as nervuras das folhas, enquanto a borboleta-da-folha-morta consegue imitar uma folha seca ao fechar as asas. Já o gafanhoto-da-areia utiliza tons semelhantes aos do solo para passar despercebido, e a mariposa-pimenta apresenta padrões nas asas que favorecem sua camuflagem sobre troncos de árvores.










