Um carro usado como entrada para comprar novilhas mudou os rumos da produção leiteira de Gilson Pereira Cardoso. Com a troca, no início dos anos 2000, ele ampliou o plantel da Fazenda Alagoas, em Patos de Minas (MG).
Naquele momento, a propriedade rendia somente 100 litros de leite por dia, quantia que não cobria as despesas da família. Gilson precisava trabalhar para vizinhos para fechar as contas em casa.
Da venda do carro ao salto de produção
Esses números mudaram bastante desde então. A produção diária chegou a 8620 litros, e a meta é alcançar os 10 mil litros, com a construção de um galpão para receber mais 50 vacas. A terra está com a família desde 1949, passada do avô ao pai de Gilson e assumida por ele em 2001. O salto na produção veio cerca de uma década depois, quando o produtor buscou apoio da Nestlé para ampliar a estrutura de ordenha.
Uma proposta que mudou o negócio
Em vez do financiamento esperado, veio uma oferta direta de compra do leite pela multinacional. Mesmo com o sistema de produção artesanal da época, o volume entregue variava entre 500 e 700 litros diários, mas com qualidade reconhecida.
Diante da insegurança, Gilson resolveu testar os dois caminhos ao mesmo tempo. Durante 15 dias entregou o leite para a cooperativa e, nos 15 dias seguintes. Para a Nestlé, a diferença chegou a 14 centavos por litro a favor da empresa, segundo ele contou ao site Agfeed.
Esse ganho extra funcionou como um fundo de reserva mensal, usado para financiar melhorias contínuas na propriedade. Instalações, equipamentos e genética do rebanho foram os principais destinos dos investimentos ao longo dos anos.
Genética e manejo elevam a produtividade
Só animais da raça holandesa compõem hoje o plantel da fazenda. A genotipagem, técnica usada para medir o potencial genético de cada animal, passou a ser aplicada com suporte da Nestlé.
Os registros da propriedade mostram 2.478 litros diários em 2021, número que avançou para 5.926 litros em 2025 antes de chegar aos atuais 8.620. Com 194 vacas em lactação, a média de produção por animal soma aproximadamente 44,4 litros ao dia.
Parte desse avanço tem explicação na forma como a equipe é conduzida, segundo Juliana Cardoso, esposa de Gilson. Em entrevista ao Agfeed, ela afirmou que nenhuma máquina substitui as pessoas, já que sempre há alguém por trás de cada equipamento funcionando. Nove funcionários trabalham na fazenda, que investe em treinamentos voltados à rotina, à segurança e ao bem-estar dos animais.
O solo também entrou na conta
A partir de 2021, a propriedade passou a seguir princípios de agricultura regenerativa dentro do programa Net Zero, da Nestlé. Oitenta hectares são usados para o cultivo de milho destinado à silagem, sendo 55 deles arrendados, num sistema que une lavoura e pecuária.
Juliana relatou desconfiança inicial diante da proposta de manter o solo coberto por espécies vegetais diferentes. Para comparar resultados, a família decidiu aplicar a técnica em apenas parte da área plantada. Um período de 40 dias sem chuva logo depois do plantio serviu como teste real.
As áreas com cobertura vegetal tiveram milharais mais uniformes e produtivos do que as áreas sem esse manejo. Segundo Juliana, que descreveu a experiência como decisiva para encarar o cuidado com o solo como prioridade permanente.
Desde 2022, o plantio direto na palha se tornou rotina na Fazenda Alagoas, reforçando o conjunto de práticas que sustenta o crescimento da produção de leite na propriedade de Patos de Minas.










