

Desde os 7 anos, Alex acompanha seu pai Adelar nos jogos da Chapecoense. Aquele espaço simples na lateral leste da Arena Condá — uma arquibancada baixa, próxima do gramado — tornou-se refúgio para uma conexão que atravessaria quase duas décadas de suas vidas. O ritual cresceu junto com o menino.
Na campanha de 2013, ano em que o time garantiu vaga na Série A, Alex faltou a apenas dois dos 19 jogos disputados na disputa pelo acesso. Pai e filho também acompanharam juntos as campanhas internacionais que se seguiram, entre elas a disputa da Copa Sul-Americana de 2016.
O dia que mudou tudo
Com 14 anos, Alex despertou naquela manhã e se deparou com uma sequência de mensagens no aparelho. No grupo de colegas da escola, espalhava-se a informação de que a aeronave com a delegação da Chapecoense havia sofrido um acidente. Ele ligou a televisão para confirmar o que parecia irreal, e não conseguiu permanecer na escola, e só conseguia chorar.
Por volta das 10h, o pai foi buscá-lo na escola; antes de chegarem à Arena Condá, ainda pararam para adquirir uma bandeira do clube. O pai voltou para casa, mas Alex permaneceu na Arena Condá.
Naquele instante, a Chapecoense deixou de ser apenas o time da infância e passou a fazer parte de sua identidade, da rotina e da família. Nos dias seguintes, ele voltou à Arena Condá todas as noites: precisava estar lá. O estádio se transformou em ponto de encontro para toda a cidade, mas, para ele, era mais: um ponto de apoio.
Uma vida colorida de verde
Lágrimas marcaram permanências na elite e acessos conquistados com luta. Títulos estaduais atravessaram os anos e continuam mexendo com seu emocional até hoje.
Entre tantos jogos inesquecíveis, a defesa de Danilo contra o San Lorenzo, na semifinal de 2016, ficou gravada para sempre. Assim como a vitória nos pênaltis contra o Independiente, também naquele ano, que Alex elege como o momento perfeito para reviver ao lado do pai.
No dia a dia, os dois continuam vivendo a Chapecoense juntos: vão ao estádio, falam do time e discutem por causa da equipe, e compartilham as vitórias e também as derrotas.
Para os dois, o jogo vai muito além do futebol: é o espaço onde pai e filho construíram, ao longo de 17 anos, uma vida inteira.










