Quando a indústria de beneficiamento de arroz entrou em declínio, Aparecido Savegnago enfrentou uma escolha radical: continuar em um negócio que desaparecia ou arriscar tudo em algo novo. Em 1976, aos 46 anos, ele vendeu tudo que tinha e transformou suas economias em um pequeno supermercado de 300 metros quadrados em Sertãozinho, equipado apenas com dois caixas e seis funcionários.
Cinco décadas depois, aquele mercado de bairro, onde a família apostou a própria casa, se tornou uma potência do varejo. Hoje, o Grupo Savegnago controla 64 lojas da marca principal, 11 unidades do atacarejo Paulistão e sete postos de combustível. A rede emprega mais de 14 mil pessoas em 23 cidades do interior paulista.
Em 2025, o faturamento atingiu R$ 7,9 bilhões. O resultado colocou a rede na 17ª posição nacional e na liderança entre os varejistas do interior de São Paulo, segundo o Ranking ABRAS 2026.
Dos primeiros passos ao crescimento acelerado
O começo foi marcado pelo improviso e pela falta de experiência. Aparecido comprou um supermercado já abastecido e aprendeu, no dia a dia, quais produtos saíam mais das prateleiras para repor o estoque. Em dois anos, a operação dobrou de tamanho, e a família começou a comprar outros mercados na mesma cidade.
Chalim Savegnago, filho do fundador e atual presidente-executivo, lembra que o negócio não se distinguia pelo tamanho ou pela estrutura física sofisticada. Mas pelo relacionamento com os clientes e pela dedicação à operação. Em 1979, cinco unidades já operavam em Sertãozinho, consolidando a presença local antes de pensar em expansão regional.
Resistência às crises e estabilização econômica
A trajetória da empresa coincidiu com turbulências econômicas que desafiaram qualquer negócio brasileiro. O congelamento de preços do Plano Cruzado, o confisco de poupanças do Plano Collor em 1990 e a inflação galopante dos anos seguintes testaram a capacidade de adaptação do Grupo Savegnago. Cada crise exigiu criatividade logística e reposicionamento de preços dentro de margens cada vez mais apertadas.
Somente com a estabilização da economia, quando a inflação perdeu força e o poder de compra das famílias se recuperou, a rede pôde acelerar o crescimento de forma mais previsível. A partir daí, a rede se expandiu, consolidou-se em Ribeirão Preto e avançou para cidades como São Carlos e Rio Claro, com foco no interior paulista, onde havia menos competição.
O modelo atacarejo e a disputa por margens
Na última década, o varejo alimentar brasileiro adotou em larga escala o formato atacarejo: lojas com mais produtos, menos serviços. E preços mais competitivos, que pressionam as margens das redes tradicionais de supermercados.
O Grupo Savegnago entrou tarde nesse mercado: o Paulistão começou a operar apenas no fim de 2022, quando concorrentes maiores já tinham participação consolidada nesse canal. Chalim reconhece a pressão, mas defende que os dois formatos cumprem funções distintas e não devem tentar copiar um ao outro.
Um supermercado que tenta imitar os preços do atacarejo perde a disputa direta porque não tem a escala operacional desse modelo. Por isso, a estratégia é reforçar o diferencial de conveniência, com mais produtos perecíveis de qualidade, refeições prontas e hortaliças já higienizadas.
A marca tradicional trabalha com cerca de 14 mil itens por loja, enquanto o Paulistão oferece 7.500 referências com foco em volume e rotatividade.
Planos de crescimento para 2026 e além
O grupo planeja expandir ambas as bandeiras nos próximos anos. Novas unidades do Paulistão devem abrir em 2026, enquanto a rede principal inaugurará uma loja no Shopping Dom Pedro em Campinas. Paralelamente, mantém um ciclo contínuo de reformulação: cinco a seis lojas passam por renovação anual, garantindo que a rede sempre conte com estrutura atualizada.
Aos 50 anos de operação contínua, o Grupo Savegnago comemora sua posição de liderança no interior paulista em um momento de disputa acirrada no setor varejista. A história do mercado de 300 metros quadrados se tornou uma rede com faturamento anual de R$ 7,9 bilhões.










