Os Exércitos do Brasil e da Argentina concluíram, neste mês de outubro, o exercício militar combinado Arandu 2026, realizado no Rio Grande do Sul. A operação mobilizou aproximadamente 2,8 mil militares e mais de 600 viaturas, em uma série de atividades destinadas a ampliar a capacidade de atuação conjunta das forças terrestres dos dois países. A fase prática do treinamento ocorreu principalmente no Campo de Instrução Barão de São Borja, em Rosário do Sul, com atividades também em Santa Maria e Faxinal do Soturno.
Do total de participantes, cerca de 400 eram militares argentinos, segundo informações divulgadas após o encerramento do exercício. A iniciativa integra um ciclo de preparação desenvolvido desde 2024 e tem como objetivo aperfeiçoar a comunicação, a coordenação e a execução de operações entre tropas que utilizam diferentes equipamentos e procedimentos militares.
Treinamento reúne blindados e diferentes unidades militares
Durante as atividades, os militares empregaram veículos blindados, viaturas mecanizadas, aeronaves e equipamentos de apoio. O exercício também envolveu tropas aeromóveis, aerotransportadas, unidades de operações especiais e equipes de engenharia militar. Entre os equipamentos utilizados estavam os carros de combate Leopard 1A5 BR, do Exército Brasileiro, e TAM 2C-A2, da Argentina. Também participaram viaturas brasileiras Centauro II e Guarani, além de veículos Stryker empregados pelas forças argentinas.
O treinamento incluiu exercícios de tiro, deslocamento de tropas, simulações de combate e ações destinadas a testar a coordenação entre diferentes unidades. As atividades permitiram reproduzir situações que exigem planejamento conjunto e respostas coordenadas em ambientes operacionais complexos. A participação de aeronaves militares ampliou o alcance das manobras, permitindo integrar capacidades aéreas e terrestres. Unidades de engenharia também realizaram atividades de transposição de obstáculos aquáticos, fundamentais para manter a mobilidade das tropas em terrenos com limitações naturais.
Operação busca ampliar a integração entre os dois países
Um dos principais objetivos do Arandu 2026 foi fortalecer a interoperabilidade militar, conceito que se refere à capacidade de forças diferentes atuarem de maneira coordenada. Na prática, isso exige que os militares conheçam os procedimentos de comunicação, os métodos de planejamento e as formas de execução das operações adotadas pelo país parceiro. A integração também depende da compatibilidade entre sistemas de comando, logística e equipamentos.
O treinamento conjunto cria oportunidades para identificar dificuldades de coordenação e aperfeiçoar procedimentos que poderão ser utilizados em futuras operações combinadas. A cooperação entre Brasil e Argentina na área de defesa não se limita às manobras realizadas no terreno. Os dois países também desenvolvem atividades de planejamento e simulação, que permitem preparar os estados-maiores antes do emprego efetivo das tropas.
Preparação começou antes das manobras no terreno
O exercício de 2026 representou a etapa prática de um processo iniciado dois anos antes. Em 2024, os trabalhos se concentraram no planejamento das operações e na preparação dos cenários. Em 2025, os militares avançaram para exercícios de simulação, nos quais decisões e movimentos das forças foram avaliados em ambientes controlados. A fase final levou as atividades para o terreno, com a participação de soldados, veículos e equipamentos militares.
A sequência permitiu colocar em prática procedimentos desenvolvidos durante o planejamento e testar a coordenação entre unidades dos dois países. O emprego de sistemas de simulação tática também contribuiu para reproduzir situações de combate e avaliar o desempenho das tropas sem depender exclusivamente do uso de munição real.
Cooperação militar reforça relações regionais
A realização do Arandu faz parte dos esforços de cooperação entre Brasil e Argentina no campo da defesa. Além de ampliar o conhecimento mútuo entre os militares, os exercícios combinados favorecem a troca de experiências e o aperfeiçoamento de doutrinas operacionais. A iniciativa também demonstra a capacidade dos dois países de organizar atividades militares conjuntas, envolvendo diferentes especialidades e estruturas de comando.
Apesar da dimensão do treinamento, a quantidade de militares e equipamentos mobilizados não é, isoladamente, suficiente para medir os resultados operacionais. A avaliação depende de fatores como a eficiência das comunicações, a coordenação das unidades e a capacidade de executar as missões previstas. Com o encerramento da edição de 2026, Brasil e Argentina concluíram mais uma etapa de preparação conjunta. O aproveitamento das experiências obtidas deverá contribuir para o planejamento de futuras atividades e para o fortalecimento da cooperação militar entre os dois países.










