O café torrado e moído registra um aumento acumulado de 50,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), contribuindo para a elevação dos preços dos alimentos no Brasil. Diante do encarecimento do produto, um teste de degustação às cegas avaliou marcas conhecidas disponíveis nos supermercados para descobrir quais oferecem a melhor combinação entre sabor e custo-benefício.
Onze amostras da versão tradicional do produto, sem extraforte nem variações de exportação, passaram pelo teste de cinco provadores. Números substituíram as marcas nas embalagens, de modo que nenhum jurado soubesse qual café estava bebendo.
O preparo seguiu o mesmo critério para todas as amostras: dissolver 40 gramas de pó em 600 mililitros de água e coar a mistura em filtro de papel Melitta. Essa padronização evita que diferenças de técnica interfiram no resultado da prova.
Critérios usados na avaliação
Aroma, corpo e sabor formaram os três eixos observados pelos jurados durante a degustação. Um café bem avaliado precisa ser macio na boca, encorpado e levemente doce, com uma acidez que deixa a língua ligeiramente estimulada. Amargor em excesso pesa contra a nota final, já que costuma aparecer quando a bebida fica concentrada demais.
Encontrar doçura e acidez por trás desse amargor foi o ponto mais difícil para os especialistas. A torra intensa — recurso comum para mascarar grãos de qualidade inferior — tende a dominar o paladar antes de qualquer nota mais sutil surgir.
Os três primeiros colocados
O pacote de 400 gramas da Três Corações, vendido a R$ 35,09, levou o primeiro lugar na degustação. Toques de chocolate e fruta se somaram a uma acidez discreta, enquanto terra, avelã, nozes e caramelo queimado marcaram o aroma, com corpo considerado médio pelos jurados.
A Melitta ficou em segundo, com o pacote de 500 gramas custando R$ 22,87. Frutas secas, rapadura e chocolate ao leite apareceram no aroma, ao lado de notas menos favoráveis de naftalina e palha, resultando em corpo médio-baixo e boa persistência na boca.
A Fort ficou em terceiro lugar, e a linha mais econômica da própria Três Corações custava R$ 16,98 por 500 gramas. Rapadura, frutas amarelas, caramelo e pão compuseram um perfil suave, e a amostra teve o menor amargor entre as 11 testadas.
O veredito para o consumo diário
Um dos jurados classificou o café da Três Corações como uma opção equilibrada, do tipo que serve bem para uma reunião ou para começar o dia de trabalho. No geral, as marcas testadas atenderam à expectativa de quem bebe café todos os dias, apesar da pressão da inflação sobre os preços do setor.
Em comparação, um café especial, produzido artesanalmente em pequena escala, pode custar o dobro dos valores encontrados nas prateleiras do supermercado. Para quem busca equilíbrio entre bolso e sabor, o resultado da degustação mostra que marcas populares seguem entregando uma xícara consistente sem exigir o dobro do preço.
Por que a liofilização preserva melhor o aroma e o sabor
No café solúvel, o processo de liofilização remove a água em temperaturas muito baixas, ao contrário de outros métodos, que usam calor intenso. Essa técnica preserva melhor as características sensoriais porque não danifica os compostos voláteis responsáveis pelo aroma e pelo sabor, que naturalmente se perdem com o calor.
Quando essas moléculas são mantidas intactas, a bebida fica mais aromática e menos agressiva no paladar.










