Uma mulher testou, durante dois dias, uma dieta rigorosa para perder peso, baseada apenas em porções de 100 gramas de porridge. A meta dela era caber em um vestido de festa comprado 15 anos antes e reduzir seus níveis de colesterol.
O regime limitava a ingestão a 1100 calorias por dia, cerca de metade do recomendado para mulheres, distribuídas em três porções de porridge. Pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, desenvolveram a estratégia, e seus registros indicam que os participantes teriam perdido cerca de 4,4 quilos em 48 horas.
Nenhum sal, açúcar ou adoçante era permitido — apenas frutas e vegetais frescos ou congelados como acompanhamento, além de temperos e suco de limão.
Por que adotar uma dieta tão restritiva
Aos 63 anos, a participante enfrentava desafios de peso mesmo com rotina ativa — caminhava mais de 12 mil passos diários, praticava musculação na academia e adotava dieta pescatariana rica em fibras. Seu índice de massa corporal (IMC) era de 28, acima do recomendado de 25, e seu colesterol total atingia 5,6 — acima da meta de abaixo de cinco.
O Histórico familiar de infarto precoce intensificava a necessidade de controlar ambas as métricas. Dois eventos sociais próximos — o aniversário de uma amiga e a celebração do aniversário da mãe em um hotel no campo — criavam urgência para reduzir uma medida de roupa e recuperar a confiança na própria aparência. O vestido de Vivienne Westwood, comprado quando estava mais magra, tornou-se o símbolo do objetivo.
Como funciona o plano de porridge
Os pesquisadores da Universidade de Bonn ofereceram um “livro de receitas” com variações doces e salgadas de porridge. O preparo era simples: aquecimento da aveia com água por cinco minutos seguido de dez minutos de descanso até atingir consistência cremosa. A porção de 100 gramas de aveia mostrou-se mais generosa do que esperado para uma refeição única.
As receitas testadas incluíram versões com pera e alho-poró, temperadas com canela e outras especiarias. Dois litros de água diários eram recomendados para complementar o regime. Chá e café eram permitidos em até três ou quatro xícaras, preferencialmente sem leite.
Desafios e reações fisiológicas
Após consumir metade de uma tigela, a participante se sentia cheia, mas insatisfeita com o sabor, sobretudo nas receitas que pareciam insossas. A monotonia do alimento se tornou um desafio psicológico tão relevante quanto a restrição calórica.
Estudos científicos indicam que a fibra solúvel da aveia, chamada beta-glucano, atua pela mesma via bioquímica de medicamentos para perda de peso e ajuda a reduzir o colesterol. Uma pesquisa publicada em 2024 no Journal of Nutrition demonstrou esse efeito.
Antes de iniciar o protocolo, a participante passou por testes de composição corporal, dosagem de colesterol e pesagem inicial na Randox Clinic, em Londres. O mesmo procedimento seria repetido após 48 horas para mensurar os resultados. O protocolo permitia medir objetivamente os efeitos propostos pela metodologia alemã.
O conflito entre estar cheio e estar satisfeito
Na prática, o regime de porridge criava uma experiência contraditória: o estômago se enchia rapidamente, mas a boca e o paladar não ficavam satisfeitos. A pessoa podia seguir uma dieta muito restrita sem sentir fome física intensa, mas enfrentava um desafio psicológico maior: a vontade de comer algo saboroso e variado. A experiência exigia força de vontade mental, não apenas tolerância à fome.










