Um fragmento de osso fóssil, coletado há quatro décadas durante uma expedição científica, foi identificado recentemente como o primeiro resto de dinossauro descoberto na Antártida. O achado confirma que titanosauros, os maiores animais terrestres que já existiram, habitavam o continente gelado durante o período Cretáceo.
O osso foi encontrado em 1985 durante uma expedição do British Antarctic Survey na Ilha James Ross, localizada no sudeste da Península Antártica. Fósseis marinhos coletados no mesmo local permitiram aos pesquisadores datar a formação geológica do Cretáceo tardio, há 70 milhões de anos. Inicialmente, o osso foi confundido com resto de réptil marinho e permaneceu não identificado por décadas.
Primeiro fóssil de dinossauro identificado na Antártida
A ossada foi identificada como pertencente a um dinossauro saurópode — grupo que compreende os titanosauros — e não a um animal aquático como se acreditava inicialmente. A análise foi publicada no periódico Acta Palaeontologica Polonica.
Segundo Paul Barrett, pesquisador especializado em saurópodes, o osso havia sido mal identificado devido às condições difíceis do trabalho de campo. Para o especialista, era o primeiro fragmento de dinossauro descoberto na Antártida e o segundo osso de saurópode encontrado em todo o continente.
O fragmento incompleto não permite determinar a espécie exata, e sua forma e seu tamanho, porém, sugerem que pertencia a um titanosaurus de seis a sete metros de comprimento. Não é possível saber se era um filhote ou um adulto pequeno.
Um continente onde gigantes caminhavam
Durante o Cretáceo tardio, a Antártida ainda estava conectada ao extremo sul da América do Sul e era coberta por florestas temperadas densas, dominadas por samambaias, palmeiras e coníferas.
A vegetação era semelhante à das florestas que cobrem a Tasmânia atualmente, embora o continente austral tivesse variações acentuadas na duração do período de luz solar. Durante o inverno, permanecia imerso em crepúsculo contínuo.
Apesar desses desafios extremos, a vida floresceu na região, e paleontólogos já identificaram aproximadamente meia dúzia de espécies de dinossauros diferentes na Antártida, embora o número real seja certamente maior. A fauna era diversa: pequenos herbívoros como Morrosaurus, anfossáuros blindados como Antarctopelta e predadores bípedes como Imperobator caminhavam pelo solo florestal.
Dinossauros avianos também habitavam o continente, entre eles Vegavis, um parente antigo de patos e gansos. Entre os animais da região, porém, destacavam-se os titanosauros — alguns dos maiores seres que já caminharam sobre a Terra.
A raridade dos fósseis torna o fragmento recém-identificado valioso: ele ajuda cientistas a reconstruir como era aquela região extrema e remota há dezenas de milhões de anos.










