Durante 81 anos, uma lápide de mármore branco marcada como “Desconhecido” permaneceu no Cemitério Americano de Florença, na Itália. O local guardava os restos mortais do soldado de primeira classe St. Clair M. Gibson, de 30 anos, de New Haven, Connecticut, que desapareceu durante um combate nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial.
Gibson, integrante da 371ª Infantaria da 92ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos, desapareceu em 18 de novembro de 1944, durante um ataque com granadas perto de Monte Canala, nos Apeninos. Os restos encontrados no campo de batalha décadas depois só puderam ser identificados com o avanço da tecnologia.
Soldado desapareceu em combate
Gibson fazia parte da 92ª Divisão de Infantaria, unidade formada por soldados negros que combateu na linha de frente durante a Segunda Guerra Mundial. A formação estava inserida em um Exército que ainda mantinha políticas de segregação racial.
Durante o confronto perto de Monte Canala, o terreno íngreme dificultou a recuperação do soldado. Com o deslocamento da linha de batalha, sua unidade não conseguiu localizar e retirar o corpo.
Após o fim da guerra, investigadores encontraram restos mortais na região. Sem meios para determinar a identidade, eles foram registrados como “Unknown X-272 Castelfiorentino” e enterrados no cemitério de Impruneta.
DNA confirmou identidade
Em 2017, os restos mortais foram exumados para uma nova tentativa de identificação. A análise de DNA, combinada com registros dentários, permitiu confirmar décadas depois que o soldado desconhecido era Gibson.
A identificação foi oficializada em 7 de maio de 2025 pela Agência de Contabilidade de Prisioneiros de Guerra e Desaparecidos dos Estados Unidos (DPAA). O resultado encerrou uma busca iniciada com o desaparecimento do militar em 1944.
Eryth Zecher, superintendente do Cemitério Americano de Florença, afirmou que foi uma honra identificar o soldado que permaneceu sob os cuidados do cemitério por tantos anos.
Gibson foi posteriormente enterrado com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington, em 10 de março de 2026.
Nome volta a ser lembrado
Com a identificação, o nome de Gibson passou a aparecer nas Tábuas dos Desaparecidos do Cemitério Americano de Florença. Uma roseta de bronze será colocada ao lado de seu nome para indicar que seus restos mortais foram identificados.
O cemitério reúne 4.392 lápides de mármore branco e homenageia militares americanos mortos durante a campanha italiana da Segunda Guerra Mundial.
A identificação de Gibson também encerra uma história que permaneceu sem resposta por mais de oito décadas. Para o cemitério, o caso reforça o compromisso de preservar a memória dos militares que desapareceram durante o conflito.










