Ainda aos 12 anos, os três filhos do empresário Luciano Hang já ajudavam nas lojas da Havan, envolvidos em tarefas como empacotar compras, arrumar prateleiras e vender brinquedos. Mesmo assim, nenhum deles teve essa rotina imposta como um caminho profissional obrigatório, de acordo com o dono da varejista.
Lucas Hang, o mais velho dos irmãos, disse ao NSC Total que o pai nunca exigiu que os filhos assumissem a empresa nem escolheu de antemão quem ficaria à frente dela. Havia apenas uma condição inegociável desde a infância: ninguém ficaria parado em casa sem função.
Trabalho em família nas datas de pico
Em datas comemorativas como Páscoa, Natal e Dia das Crianças, quando o movimento nas lojas aumentava, os filhos eram chamados a colaborar mais de perto, sempre ao lado de outros membros da família.
Era comum ver o próprio Luciano, a esposa e a avó dos garotos empacotando produtos na loja de Brusque, primeira unidade da rede, instalada em um imóvel de apenas 40 metros quadrados. As megalojas atuais chegam a 20 mil metros quadrados, diferença que dimensiona a transformação do negócio.
Treinamento formal a partir dos 14 anos
Uma fase mais rígida começou quando Lucas completou 14 anos. Ele e o irmão gêmeo Leonardo passaram a integrar um programa criado pelo setor de recursos humanos da Havan para que entendessem a operação da empresa por dentro. Os dois sempre atuaram em setores separados.
Ao longo de cerca de quatro anos, cada um passou por diferentes áreas das lojas. Ao fim de cada etapa, a empresa avaliava o que eles haviam aprendido, quem os havia ensinado, do que mais tinham gostado e, sobretudo, o que poderia ser melhorado naquele setor. O objetivo da prova era evitar que o estágio se tornasse uma rotina vazia.
Segundo Lucas, a cobrança constante era ir ao trabalho em busca de uma melhoria concreta. Depois da experiência nas lojas, os dois passaram pelo escritório central e por áreas como recursos humanos, financeiro, contabilidade, tecnologia e marketing. Assim, formaram uma visão ampla de como cada departamento se conecta.
Aprendizado além dos muros da empresa
Todo mês, os irmãos também se reuniam com Félix Theiss, ex-prefeito de Blumenau que atua na formação de executivos e no assessoramento de famílias empresárias.
Depois de concluir o ensino médio e entrar na faculdade, Lucas passou a se envolver mais no dia a dia da companhia. A partir daí, os irmãos ganharam liberdade para escolher em qual área poderiam contribuir de fato.
Cada herdeiro seguiu por um caminho
Luciano influenciou principalmente a forma como Lucas passou a enxergar o negócio. Lucas afirma que, na visão do pai, funcionários com repertório amplo têm mais valor para uma empresa como a Havan do que aqueles especializados em uma única função.
Lucas se identificou mais com as áreas comercial e de marketing. Uma de suas primeiras iniciativas foi levar a marca ao esporte, patrocinando clubes, atletas, campeonatos e seleções. Com isso, ajudou a estruturar a área de patrocínios da empresa.
Lucas também acompanhou o pai em decisões estratégicas, como viagens para conhecer terrenos, acompanhar obras e avaliar novas lojas. Segundo ele, Luciano sempre fez questão de manter os filhos próximos ao tomar decisões importantes.
Hoje, Lucas e Matheus estão mais diretamente envolvidos na Havan, mas atuam em áreas diferentes. Lucas se dedica à área de pessoas, ao relacionamento com clientes e às lojas, enquanto Matheus trabalha principalmente com números, crédito e expansão. A divisão de funções, sem disputa por um único cargo de comando, reflete o perfil de cada um.










