O dono da SAF do Cruzeiro Esporte Clube, Pedro Lourenço, recebeu sinal verde do Cade para a compra de 108 supermercados. Com o resultado da negociação, a rede passará da qual o empresário é proprietário irá somar cerca de 600 pontos de venda, com receita conjunta estimada em R$ 34,6 bilhões, número calculado pela FCDL-MG a partir dos dados do Ranking Abras 2026.
Além de comandar 90% da SAF do Cruzeiro, Lourenço fez de um pequeno comércio inaugurado em Santa Luzia, em 1996, um dos maiores grupos varejistas de Minas Gerais. Natural de Paineiras, município situado a 250 km da capital mineira, ele trabalhou primeiro descarregando caminhões e, mais tarde, atuou como representante comercial de um atacadista de arroz.
Do comércio ao império do varejo
Pedro Lourenço começou como carregador e construiu um negócio que vai além dos supermercados. Em 2025, o Supermercados BH faturou R$ 25,7 bilhões com 420 lojas. A DMA, que será incorporada pela operação, registrou R$ 8,9 bilhões no TOP 300 do Varejo Brasileiro no mesmo período.
A aquisição acrescenta ao grupo as bandeiras Epa e Mineirão e reforça sua presença na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A diversificação de marcas permite atender a diferentes públicos e faixas de renda em um mesmo território, estratégia comum entre varejistas que buscam dominar segmentos específicos.
Cade analisou concentração durante meses
O Cade analisou o negócio por meses, e quando recebeu a operação, em maio, o negócio previa a compra de 120 lojas. Em 31 de agosto, a Superintendência-Geral do Cade classificou a operação como complexa após identificar concentração preocupante em alguns mercados.
O órgão regulador não encontrou concorrência efetiva suficiente ao redor de seis lojas: uma em Belo Horizonte e as demais em Ribeirão das Neves, Ouro Branco, Lagoa Santa, Sarzedo e Itajubá. Em resposta, BH e DMA retiraram essas lojas e reduziram a operação para 114 unidades. Depois, as empresas retiraram outras seis unidades, levando o total final a 108 estabelecimentos aprovados pelo Cade.
Concorrentes nacionais garantem mercado livre
Em Venda Nova, bairro de Belo Horizonte, a análise mostrou que Supermercados BH e DMA somavam entre 40% e 50% do faturamento de um dos mercados estudados em 2025. Apesar da participação elevada nesses pontos, o Cade concluiu que havia concorrência suficiente para impedir o exercício de poder de mercado após a incorporação.
Redes nacionais e regionais como Carrefour, Assaí, Mart Minas, Villefort, Economart, Verdemar e Multiformato oferecem alternativas aos consumidores. Na região da Pampulha, entre 2021 e 2025, houve 14 novas inaugurações de concorrentes: duas do Assaí, uma do Carrefour, duas do Mart Minas, cinco da Multiformato e duas do Villefort.
Nos três mercados analisados na região Norte de Belo Horizonte, o faturamento total apurado pelo Cade subiu entre quase 100% e mais de 150% no período de 2021 a 2025, fator que também pesou na decisão favorável do órgão.
Operação alcança 19 municípios mineiros
Com a aprovação do Cade, o Supermercados BH passa a operar em 19 municípios mineiros e também no Espírito Santo, na Bahia e em Pernambuco. O aval consolida o grupo como principal varejista da região e amplia a rede criada pelo empresário, que transformou uma operação modesta em um dos maiores negócios de varejo alimentar do país.










