Mesmo com uma atuação ofensiva quase nula, o Flamengo ficou perto de carimbar vaga na final da CONMEBOL Libertadores ao arrancar um 0 a 0 com o Estudiantes, em La Plata. O jogo foi realizado na última quinta-feira, 15, no Estádio Uno. O time carioca fez apenas cinco chutes, nenhum deles na direção da meta.
Diante de um Estudiantes que somou 18 finalizações na partida, a equipe comandada por Leonardo Jardim apostou suas fichas em definir a vaga jogando em casa, precisando vencer ou buscar os pênaltis no Maracanã. Apesar do pouco volume de criação mostrado no primeiro confronto da semifinal, jogar o segundo jogo em casa é um fator que pesa a favor do time rubro-negro.
Posse sem objetividade ofensiva
O Flamengo dominou territorialmente, com 59% de posse contra 41% do Estudiantes, e também levou vantagem no quesito defensivo, com 17 desarmes ante 12 do adversário. O time rubro-negro completou 474 passes, com 80% de precisão, enquanto o Estudiantes acertou 357 lançamentos, em 75% das tentativas. Apesar da vantagem nos números, faltou efetividade ofensiva para criar perigo real à meta.
Carrascal foi o brasileiro mais produtivo, mas errou na conclusão das jogadas. Com Bruno Henrique e Samuel Lino apagados, o time abdicou de suas características e praticamente abandonou o ataque. Os números mostram uma equipe mais preocupada em neutralizar o adversário do que em buscar o gol, estratégia que funcionou, mas deixou a torcida sem grandes emoções.
Estudiantes levou mais perigo ao ataque
Embora não tenha criado oportunidades claras, o time argentino foi mais perigoso no ataque, com 18 finalizações, seis delas no alvo, e três chances de gol. Os lances mais arriscados foram de Tiago Palacios e Núñez, ambos de dentro da área, no primeiro e no segundo tempo, respectivamente, e léo Pereira e Alex Sandro neutralizaram as jogadas.
O Estudiantes também se destacou na disputa aérea, e o atacante Carrillo se desvencilhou várias vezes dos zagueiros flamenguistas para cabecear. Leonardo Jardim precisará redobrar a atenção nesse quesito, pois a bola aérea segue como a principal arma do time argentino.
Jogo da volta decide vaga na final
A decisão da semifinal acontece na próxima quinta-feira, no Maracanã, às 21h30 de Brasília. Quem vencer garante lugar na final, e um novo empate leva a disputa direto para os pênaltis. O Flamengo terá o retorno de Jorginho, que cumpriu suspensão, para reforçar a criação de jogadas na busca pela classificação.
O Estudiantes deve repetir o esquema defensivo que utilizou na fase de grupos, quando quase conseguiu um empate em território carioca. Antes de voltar a pensar na Libertadores, o time entra em campo no domingo diante do Bahia, na Arena Fonte Nova, em partida válida pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, com início marcado para as 18h30 de Brasília.
A vantagem do Flamengo sobre o Palmeiras na tabela é de apenas um ponto, o que torna arriscado qualquer deslize que permita ao rival assumir a liderança.
Quando controlar o jogo não é suficiente para avançar
A supremacia territorial e defensiva do Flamengo funcionou para segurar o resultado em La Plata, mas essa abordagem tinha um limite claro: dependia de um bom resultado em casa. O time “confiava na força de decidir no Maracanã”, e a neutralização só fazia sentido porque havia um segundo jogo.
Sem vitória ou empate no Rio, todo o esforço para controlar o jogo na Argentina teria sido em vão. Além disso, o Estudiantes demonstrou que, mesmo com menos posse, conseguiu ser mais perigoso, com 18 finalizações contra 5. Dominar o jogo, portanto, não garante superioridade real, especialmente contra um adversário que se organiza bem defensivamente.










