A cidade de Rio das Ostras, no litoral norte do Rio de Janeiro, reúne atrações que contam a história da cidade para além da orla: uma lagoa de água escura conhecida como Coca-Cola, monumentos históricos e uma figueira à sombra da qual Dom Pedro II descansou.
Esse roteiro histórico antecede, em séculos, a música que tornou a cidade conhecida nos últimos anos. O nome original da região vem do tupi Leripe, que significa “lugar de ostra”. Antes da chegada dos colonizadores, caçadores e coletores ocuparam o território e deixaram sambaquis, montes de conchas acumuladas.
Escavações no Sambaqui da Tarioba indicam ocupação entre 4070 e 3520 anos atrás, conforme estudo publicado na revista Archaeofauna por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF)+
O que cada monumento conta sobre a história local
A região virou sesmaria dos jesuítas em 1630. Séculos depois, Dom Pedro II descansou à sombra de uma figueira, em 1847. A árvore permanece no calçadão da Praia do Centro, transformada em monumento.
Construído por escravizados no século XVIII para abastecer navegadores, o Poço de Pedras foi demolido nos anos 1990. Foi reconstruído em 2000 a partir de fotografias antigas, em uma iniciativa que resgata a memória material da cidade.
Rio das Ostras tornou-se município em 1992, ao se separar de Casimiro de Abreu. A cidade reúne heranças indígena, colonial e imperial. Parques, costões protegidos e até um trecho da antiga ferrovia completam o roteiro dos pontos turísticos, a maior parte deles a poucos minutos de carro do Centro.
Como a música reconfigurou a economia e o turismo
O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival é a principal atração cultural da cidade e recebe apresentações ao ar livre no feriado de Corpus Christi. A festa consolidou Rio das Ostras como destino de referência para o gênero musical.
Estudo publicado na RECIIS, revista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que o festival, associado aos royalties do petróleo, gerou empregos e melhorou a qualidade de vida da população local. A realização de shows em área protegida exige cautela ambiental.
Na 18ª edição de 2021, o Conselho Municipal de Meio Ambiente aprovou o uso do anfiteatro da Lagoa de Iriry condicionado ao cercamento da vegetação ao redor do palco e à divulgação de mensagens sobre os objetivos da unidade de conservação.
Planejando uma visita à região
A cidade fica a cerca de 170 quilômetros da capital. Quem sai do Rio de Janeiro de carro segue pela BR-101 até Rio Dourado, depois pela RJ-162 e RJ-106, conhecida como Rodovia Amaral Peixoto. Ônibus diretos saem da Rodoviária Novo Rio, e o vizinho município de Macaé dispõe de aeroporto para quem chega de outras regiões.
O clima subtropical marca a região, com verões quentes e chuvosos e invernos secos. No inverno, as máximas raramente ultrapassam 30°C. Entre junho e agosto, a chuva fica abaixo de 40 milímetros mensais. Como a maior parte dos pontos turísticos fica a poucos minutos do Centro, quem passa pela região pode fazer roteiros rápidos em busca de história e natureza.
Por que a Lagoa de Iriry tem aquela cor escura de Coca-Cola
A água marrom-avermelhada da lagoa não é suja nem poluída — é resultado de processos naturais que acontecem ali há muito tempo. A cor vem de substâncias como iodo e ácidos húmicos e fúlvicos dissolvidos na água. Essas substâncias surgem da decomposição incompleta de material orgânico, como folhas e galhos que caem na lagoa.
O acúmulo dessas substâncias reduz a penetração da luz na água e cria a aparência escura característica. Apesar da cor forte, essas substâncias não são tóxicas nem prejudicam o ecossistema da lagoa. A água mantém boa balneabilidade, é adequada para banho e é rica em oxigênio e compostos orgânicos que sustentam a vida aquática.
Quando o festival não pode usar a Lagoa de Iriry como quiser
Apresentar shows em uma área protegida exige mais do que montar um palco e tocar. A lagoa e seu entorno têm proteção ambiental, que impõe restrições mesmo a eventos culturais. Antes de realizar o festival ali, o evento precisa da aprovação do Conselho Municipal de Meio Ambiente.
Quando o conselho aprova o uso do anfiteatro, impõe condições obrigatórias. Na 18ª edição do festival, em 2021, exigiu o cercamento da vegetação ao redor do palco para protegê-la do público e da movimentação. Também determinou a divulgação de mensagens sobre os objetivos da unidade de conservação. Essas restrições garantem que o lazer não prejudique o ecossistema protegido.










