A fabricante chinesa BYD colocou nas ruas dois protótipos de carroceria robusta e acabamento sofisticado, ainda cobertos por camadas pesadas de camuflagem. Um deles é um sedã volumoso, de linhas alongadas; o outro é um SUV alto e imponente. Nenhum dos projetos foi confirmado oficialmente pela marca até o momento.
Na China, a especulação aponta a Yangwang, submarca do grupo voltada a veículos de luxo, como destino provável dos dois modelos.
Referências de marcas rivais tradicionais
As linhas dos dois protótipos lembram modelos de Bentley, Rolls-Royce e Mercedes-Maybach. As três marcas parecem ter servido de inspiração direta para os carros. O sedã tem entre-eixos longo, capô alto e teto quase reto. Diferente dos elétricos atuais da marca, essa carroceria de três volumes aposta em linhas mais sóbrias e clássicas.
O conjunto lembra o Rolls-Royce Phantom, carro projetado para quem é levado por um motorista e passa a maior parte do trajeto no banco de trás. Já o SUV tem mais a ver com o Rolls-Royce Cullinan do que com o U8 da própria Yangwang: a proposta parece ser rodar bem no asfalto e oferecer conforto, deixando de lado o viés off-road que marca o modelo já conhecido da marca.
Portas com abertura invertida no sedã
A posição das maçanetas traseiras revela um dos detalhes mais curiosos do projeto: as portas traseiras abrem no sentido oposto ao das dianteiras. Esse desenho, apelidado de “coach door”, é marca registrada dos sedãs de luxo da Rolls-Royce e facilita a entrada e a saída de quem viaja no banco de trás.
Especula-se ainda que o modelo possa dispensar a coluna B tradicional entre as portas, permitindo que todas se abram ao mesmo tempo e liberem um vão lateral amplo. Uma solução assim exigiria reforço estrutural extra, provavelmente distribuído entre a plataforma, as laterais da carroceria e o próprio pacote de baterias sob o assoalho.
Teto metálico e acabamento robusto
Ao contrário da tendência de tetos panorâmicos de vidro comuns em elétricos recentes, o protótipo aparece com cobertura metálica convencional. A escolha sugere preocupação com a rigidez estrutural e o isolamento acústico e térmico da cabine.
A distância entre os eixos e o balanço traseiro alongado reforçam que o espaço para os ocupantes de trás deve ser prioridade central do projeto, seguindo a lógica de carros pensados para quem é conduzido, não para quem dirige.
Rodas e suspensão sofisticadas
Os aros grandes, com pneus de perfil baixo e desenho fechado, lembram diretamente os conjuntos usados pela Mercedes-Maybach. E reforçam que a BYD mira um público acostumado a esse padrão visual de luxo.
No sedã, um reservatório de ar próximo ao para-choque traseiro sugere uma versão mais avançada da suspensão pneumática DiSus-A, tecnologia que a BYD já emprega em carros da Denza para ajustar a altura da carroceria e o comportamento da suspensão por meio de comandos eletrônicos.
Em um automóvel desse porte, a tecnologia deverá ser calibrada prioritariamente para o conforto e manter a carroceria estável mesmo sobre pisos irregulares. A BYD ainda não confirmou quais conjuntos mecânicos serão utilizados, embora a imprensa chinesa considere possível que o sedã e o SUV sejam oferecidos em versões totalmente elétricas e híbridas plug-in.
No SUV, uma das possibilidades seria uma evolução da plataforma e³, que permite o controle independente das rodas traseiras. E admite a ligação mecânica entre o motor a combustão e o eixo dianteiro. A Yangwang fechou agosto de 2026 com 442 unidades entregues na China, um volume modesto se comparado ao total vendido pela BYD.
Essa diferença não chega a ser um problema para a marca: a ideia não é vender em grande quantidade, e sim atuar num nicho de margens altas que ajuda a sustentar a imagem tecnológica de todo o grupo.










