Benedito Ruy Barbosa, um dos nomes mais associados às tramas ambientadas no campo, escrevia suas novelas em um escritório com vista para a natureza em seu sítio em Sorocaba. O autor de Pantanal morreu em 7 de julho, em São Paulo, aos 95 anos.
O Hospital HCor, responsável pelo atendimento, informou que o óbito decorreu de um quadro de insuficiência renal crônica agravado por complicações. Com tramas envolventes e paisagens naturais, conquistou milhões de espectadores brasileiros ao longo de décadas.
Nascido em 1931 numa fazenda no município paulista de Gália, ele cresceu em Vera Cruz, cidade vizinha marcada pelas plantações de café e pela presença de famílias imigrantes japonesas e italianas. Desde cedo, esteve ligado ao universo rural que dominaria sua obra.
Ainda menino, chegou a lidar com plantações de café e feijão, experiência que continuou presente em sua memória mesmo depois de deixar o interior e se mudar para a capital paulista aos 17 anos.
Benedito Ruy Barbosa e seu sítio em Sorocaba
Em 2024, o programa Globo Rural revelou os detalhes do sítio de Barbosa em Sorocaba, propriedade adquirida com sua esposa Marilene há mais de 30 anos.
Lá, o autor mantinha um escritório com vista para a natureza onde escrevia suas novelas. Bruno Luperi descreveu o processo de trabalho: seu avô permanecia concentrado do almoço até o jantar, fazia intervalo apenas quando chegavam visitas e retomava do ponto onde havia parado.
Para a neta Edmara, o sítio representava a realização de um desejo antigo do avô: segundo ela, aquele pedaço de terra era algo que ele almejou recuperar durante toda a vida.
Trajetória consolidada na teledramaturgia
Antes de se tornar um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, Barbosa trabalhou em São Paulo como auxiliar de guarda-livros em uma firma comercial, vendedor de verduras na feira e faxineiro em uma agência bancária para complementar a renda. Depois, conseguiu emprego em um banco e conciliou o trabalho com os estudos noturnos.
Em 1954, consolidou sua trajetória profissional como revisor do jornal Estado de S. Paulo. Depois, tornou-se repórter da editoria esportiva do Última Hora.
O romance Fogo Frio, publicado em 1959, marcou sua estreia na ficção e foi escrito durante sua passagem pelo Paraná. Em 1966, estreou como autor de telenovelas com Somos Todos Irmãos, exibida na TV Tupi.
Legado na televisão brasileira
Em 1971, escreveu Meu Pedacinho de Chão em parceria com a TV Cultura e a Globo. Seu contrato exclusivo com a emissora começou em 1976 e resultou em uma extensa filmografia que o consolidou entre os autores mais importantes da teledramaturgia brasileira.
Pela Globo, ele deixou sua marca em produções como O Feijão e o Sonho, À Sombra dos Laranjais, além de Cabocla, Paraíso e Sinhá Moça. Também passou pela Band e pela TV Manchete, onde escreveu Pantanal.
Criou ainda produções como O Rei do Gado, Terra Nostra, Esperança e Mad Maria, consolidando seu legado na televisão brasileira.










