O patrimônio combinado dos 400 americanos mais ricos cresceu US$ 1,4 trilhão (R$ 7,14 trilhões) em apenas 12 meses, representando uma alta de 21%. Esse foi o maior crescimento anual já registrado para o grupo, segundo a Forbes, e as doações, porém, não acompanharam esse ritmo.
Ao analisar as doações feitas ao longo da vida de cada integrante da lista, a Forbes identificou um padrão: quanto mais essas fortunas cresceram, menor foi a parcela destinada a causas beneficentes.
Os 400 bilionários doaram no total pelo menos US$ 366 bilhões (R$ 1,87 trilhão) a instituições beneficentes durante suas vidas — US$ 47 bilhões (R$ 239,7 bilhões) a mais que no levantamento anterior. Em termos absolutos, é um crescimento expressivo.
Em termos relativos, porém, o quadro é inverso: essa soma representa apenas 4,4% do patrimônio total do grupo, percentual inferior aos 4,6% apurados em 2025 e aos 5% de 2024.
Como a generosidade é medida
A Forbes atribui uma pontuação de 1 a 5 a cada bilionário da lista, comparando suas doações ao longo da vida com o patrimônio líquido estimado em 2026. Recebe nota 1 quem destinou menos de 1% da fortuna a causas sociais; nota 5 é reservada a quem doou 20% ou mais.
Quase 80% dos integrantes ficaram com nota 1 ou 2 — a pior proporção desde que a metodologia de pontuação começou em 2020. Mais de 40% da lista doou menos de 1% do que possui. A Forbes estima que até 45 bilionários desse grupo tenham repassado praticamente nada a instituições de caridade.
A metodologia só contabiliza recursos que chegaram efetivamente aos destinatários. Dinheiro retido em fundações particulares ou promessas de doações futuras que ainda não foram efetivadas não entram no cálculo. Mesmo que muitos magnatas guardem centenas de milhões ou até bilhões de dólares nessas estruturas.
O Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal dos Estados Unidos, exige que essas fundações distribuam apenas uma pequena parcela dos recursos a cada ano.
Os maiores filantropos
George Soros continua no topo da lista quando se considera a proporção entre doações e patrimônio. Com patrimônio líquido estimado em US$ 8,6 bilhões (R$ 43,86 bilhões). O magnata dos fundos de hedge destinou US$ 24,2 bilhões (R$ 123,42 bilhões) a organizações dentro e fora dos Estados Unidos, valor que corresponde a 74% de seu patrimônio.
É a sétima vez consecutiva que ele ocupa essa posição, resultado ligado à atuação da Open Society Foundations, que concentra boa parte de suas contribuições. Warren Buffett é o maior doador em termos absolutos: o presidente do conselho da Berkshire Hathaway repassou US$ 72,6 bilhões (R$ 370,26 bilhões) — ou 33,5% de sua fortuna estimada em US$ 144 bilhões (R$ 734,4 bilhões) — a quatro fundações da família e à Gates Foundation. Buffett se comprometeu a doar mais de 99% de sua riqueza.
Apenas 13 integrantes da Forbes 400 receberam a nota máxima, 5. Eles representam 3% do total, dois a mais que no levantamento anterior, que teve 11 doadores nessa categoria. Além de Soros e Buffett, o grupo inclui Michael Bloomberg, Bill Gates, Melinda French Gates, Edythe Broad, Reed Hastings, Amos Hostetter Jr., Dustin Moskovitz, Mitchell Rales, Lynn Schusterman, MacKenzie Scott e Marilyn Simons.










