A gestão direta dos negócios da Nissan na Argentina chegará ao fim até 2026, em um movimento que acontece depois de a montadora encerrar, em março de 2025, a fabricação da picape Frontier na planta de Santa Isabel.
Quem assumirá o comando comercial da marca no país são dois grupos privados argentinos, Simpa e Tagle. Caberá a eles tocar a distribuição dos veículos, o suporte aos consumidores e todo o serviço de pós-venda da marca no país.
Como vai funcionar a transição
Simpa e Tagle dividirão a responsabilidade por peças, acessórios e pela formação do portfólio de produtos oferecidos no mercado argentino. As duas empresas também assumirão o relacionamento direto com os consumidores, função hoje exercida pela Nissan.
Clientes que já possuem veículos da marca não devem sentir mudanças imediatas. Garantias seguem valendo, os canais de atendimento continuam ativos e o programa de financiamento Nissan Plan de Ahorro permanece disponível enquanto durar o processo de transferência.
Papel da Nissan após a mudança
A fabricante japonesa não some do mercado argentino, mas muda de função: passa a fornecer veículos e dar suporte global aos novos operadores, sem mais comandar a subsidiária local. Esse modelo lembra arranjos usados em outros países, como a parceria da CAOA com marcas estrangeiras no Brasil, ainda que os termos contratuais sejam distintos.
O Grupo Simpa, da família Schwartz, tem origem no setor de plásticos e expandiu sua atuação para motocicletas nos últimos anos. A empresa representa quase 20 marcas, entre elas KTM, Royal Enfield e Harley-Davidson, e opera uma linha de montagem de motos na cidade de Pilar.
Já o Grupo Tagle é uma empresa familiar de Córdoba com negócios espalhados entre o setor imobiliário, o agronegócio e o comércio automotivo. O grupo mantém uma rede própria de revendas de carros e motos e agora vai incluir a Nissan nesse portfólio.
De onde virão os carros vendidos no país
Sem fábrica própria em solo argentino, a marca passa a depender totalmente de importações para manter a linha de vendas. O Kicks e o Kait chegam do Brasil, o Versa e o Sentra saem do México, enquanto o X-Trail é importado diretamente do Japão.
Novos modelos importados devem reforçar o catálogo, e está confirmado o retorno da Frontier fabricada no México, além de uma futura versão híbrida plug-in da picape produzida na China. A estratégia priorizará modelos da parceria com a DongFeng, assim como ocorre no Brasil.
A partir dessa mudança, a Argentina passa a integrar a Nissan Importers Business Unit, a divisão da fabricante que cuida de mais de 30 mercados latino-americanos atendidos por importadores. A previsão é que, até o fim de 2026, Simpa e Tagle já tenham consolidado a operação e a Nissan tenha deixado o comando direto do negócio no país.
Além disso, a Nissan ainda não informou o que vai acontecer com os funcionários que seguem ligados diretamente à subsidiária argentina.










