Eleanor Monninger deixou a escola em 1942, quando seu irmão foi lutar na Segunda Guerra Mundial, para ajudar o pai na fazenda da família.
Faltava apenas uma disciplina para que ela se formasse. Os três anos seguintes de trabalho no campo, porém, fizeram com que envelhecesse a ponto de se sentir constrangida de retornar à escola.
Aos 99 anos, ela finalmente subiu ao palco na cerimônia de formatura realizada no sábado pela Macomb High School, na Universidade Western Illinois, em Macomb, Illinois. A cerimônia reuniu três mil pessoas, incluindo quase 150 formandos com mais de 80 anos a menos que ela.
Ela usava beca e capelo, e a multidão se levantou para aplaudi-la de pé.
O diploma de Eleanor Monninger, mais de 80 anos depois
Monninger sempre sentiu um desconforto vago por nunca ter completado a escola secundária. Quando seu namorado Bob Monninger retornou da guerra, os dois se casaram em 1945 e tiveram três filhos nos anos seguintes.
Enquanto ela criava os filhos, Bob passou mais de 40 anos trabalhando como engenheiro numa usina de aquecimento, primeiro na Universidade Western Illinois e depois na Illinois State University, em Normal, Illinois.
As décadas se acumularam, e as demandas cotidianas sempre pareciam mais urgentes do que voltar à escola. Na maior parte do tempo, ela não pensava sobre isso — mas ocasionalmente o sentimento ressurgia com força.
Quando se aproximava o que teria sido seu reencontro de 50º ano de formatura, um ex-colega a contatou para pedir informações sobre um graduado, mas não a convidou para o evento. Monninger se sentiu deixada de lado.
O caminho até a formatura
O sobrinho de Monninger entrou em contato com Patrick Twomey, superintendente do Distrito Escolar de Macomb 185, no ano passado, quando ela ainda tinha 98 anos.
Ele perguntou se era possível emitir um diploma para sua tia, que sempre lamentou não ter se formado em 1942. Twomey prometeu procurar os registros e ver o que podia fazer.
Os funcionários do distrito finalmente encontraram um registro confirmando que Monninger havia frequentado o que então era chamado de Western Illinois High School, escola que havia fechado há muito tempo. Como as exigências de formatura continuavam em vigor, Twomey não podia simplesmente conceder-lhe o diploma.
Durante uma conversa posterior, o sobrinho mencionou pela primeira vez que Monninger havia deixado a escola para ajudar na fazenda porque seu irmão lutava na guerra. As regulamentações estaduais permitiam que escolas emitissem diplomas para alunos que saíram do ensino médio pelo esforço de guerra.
Twomey consultou o Conselho Estadual de Educação, que afirmou que ele tinha discrição sobre o assunto. Twomey concluiu que emitiria o diploma. Por fim, concedeu a Monninger a honra de liderar os colegas ao virar a aba do capelo.
A cerimônia de formatura
Seu filho mais jovem, Andy, estava entre o público, sorrindo e com lágrimas de alegria nos olhos. No palco, segundo Twomey, Monninger insinuou que seu diploma de ensino médio talvez não encerrasse sua carreira acadêmica e que poderia fazer alguns cursos de faculdade.
Depois, Monninger confirmou que era apenas uma brincadeira. Twomey reconheceu a singularidade do momento: em todos os seus anos como superintendente, nunca havia visto um formando receber uma ovação de pé. Na segunda-feira, ela já mantinha o diploma exposto na mesa do apartamento.










