Um pedreiro de 63 anos concluiu o curso de Direito em Vitória depois de pedalar 42 quilômetros diários entre Cari, no Espírito Santo, onde morava, e a capital do estado. O caso foi bastante comentado no ano de 2015, servindo como um exemplo de dedicação e persistência para muitos alunos universitários.
Após formar-se em direito, Joaquim Corsino dos Santos almejava ser delegado de polícia. Nascido em Itaumirin, cidade localizada no interior de Minas Gerais, ele começou a graduação no curso de direito no ano de 2008 com o dinheiro que havia guardado desde 1980, época em precisou abandonar os estudos para trabalhar.
A rotina diária incluía 21 quilômetros de ida e outros 21 de volta, todos percorridos de bicicleta entre Cariacica e Vitória. Além disso, ao longo do curso, ele enfrentou outro obstáculo. Um imprevisto financeiro que quase chegou a interromper a formação do pedreiro.
Empréstimo não pago interrompeu curso do pedreiro
Em entrevista ao jornal A Gazeta, ele disse que precisou interromper a faculdade depois que um amigo pediu R$ 4.500 emprestados e não pagou. Para quitar o curso, juntou mais dinheiro antes de retomar as aulas e conseguiu retornar aos estudos em 2012, concluindo o bacharelado naquele ano.
A Constituição como motivação central
Um trecho específico da lei maior do país foi citado pelo formando como inspiração para seguir na área jurídica. “Quando eu leio a Constituição no artigo quinto, que fala que todos têm direitos iguais, vejo que tem muita coisa boa nela e eu gostaria de contribuir para isso”, declarou Joaquim.
Essa leitura reforçou a vontade de atuar diretamente na Justiça, em vez de apenas obter o diploma como conquista pessoal. Seu plano como egresso, era conseguir a aprovação na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), etapa necessária para exercer a advocacia no país.
Ele também pretendia prestar concursos públicos, conciliando a preparação para a OAB com os estudos para carreiras públicas na área jurídica. A nova formação acadêmica se soma a décadas de trabalho na construção civil.
O caso de Joaquim foi tido como exemplo por muitos estudantes, não só da área de direito, como de outras áreas, por conta dos desafios de conciliar trabalho e estudo, além de conseguir uma formação na terceira idade.










