
Astrônomos finalmente confirmaram a existência de um exoplaneta que passara despercebido por mais de uma década. Batizado de Beta Pictoris d, o planeta foi identificado com o instrumento ERIS, instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no deserto do Atacama, no Chile.
O planeta integra um dos sistemas planetários mais estudados da astronomia moderna e representa um avanço na detecção direta de mundos fora do Sistema Solar. Depois da identificação inicial, os pesquisadores revisaram milhares de imagens obtidas pelo instrumento SPHERE e descobriram que Beta Pictoris d já aparecia discretamente em registros da última década.
O Telescópio Espacial James Webb forneceu confirmação adicional ao detectar o corpo celeste que havia ficado oculto por tanto tempo nos dados científicos disponíveis.
Uma estrela jovem como laboratório natural
A estrela Beta Pictoris está a apenas 63 anos-luz da Terra e tem aproximadamente 23 milhões de anos. É uma estrela jovem em comparação com o Sol, que tem 4,6 bilhões de anos.
Desde a década de 1980, Beta Pictoris se tornou um verdadeiro laboratório natural para o estudo da formação planetária. A estrela destaca-se entre astrônomos por apresentar um gigantesco disco de poeira e detritos, evidenciando formação planetária em andamento, visto de perfil da Terra.
Esse disco permite observar processos semelhantes aos que ocorreram no Sistema Solar quando ele era jovem. Ele também ajuda os pesquisadores a entender como e onde mundos se formam ao redor de estrelas recém-nascidas.
Terceiro mundo em um sistema dinâmico
Beta Pictoris d é o terceiro exoplaneta confirmado nesse sistema estelar. Os outros dois são Beta Pictoris b, o planeta mais brilhante nas imagens, e Beta Pictoris c, que orbita mais perto da estrela e não aparece nas mesmas imagens. Os três formam um sistema em que múltiplos mundos interagem.
A análise do brilho e da cor infravermelha de Beta Pictoris d indica tratar-se de um gigante gasoso com massa aproximadamente 2,4 vezes superior à de Júpiter.
A faixa horizontal difusa visível nas imagens representa o disco de detritos, uma zona de formação contínua onde partículas de poeira colidem e se agrupam. Esse processo pode gerar novos mundos ou alimentar os que já orbitam a estrela.
Por que demorou tanto para ser descoberto
O planeta permaneceu despercebido por mais de dez anos porque tem brilho muito baixo. Sua luminosidade é cerca de 100 vezes inferior à de Beta Pictoris b, o que impediu sua identificação confiável pelos métodos tradicionais.
Avanços no processamento de dados e na capacidade dos instrumentos permitiram identificar o planeta nos registros antigos. O Telescópio Espacial James Webb também detectou o corpo celeste e reforçou a confirmação. O caso mostra como a astronomia revisita dados antigos com ferramentas mais sofisticadas para encontrar objetos que não foram identificados na análise inicial.










