Cuiabá registrou, em outubro de 2023, a temperatura mais alta já documentada no Brasil: 44,2°C.
Estações oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia fizeram a medição no dia 19 daquele mês. A onda de calor foi tão intensa que chegou a ser comparada às temperaturas do Deserto do Saara e reforçou a condição da capital mato-grossense como a cidade mais quente do país.
A frequência e a duração das ondas de calor extremo na região refletem mudanças climáticas globais potencializadas pelo desmatamento e pela expansão urbana desenfreada.
Por que Cuiabá esquenta tanto
Localizada no Centro-Oeste, a cidade tem clima tropical semiúmido e temperatura média anual de 27°C. Os verões combinam dias longos e úmidos com calor sufocante. No inverno, o calor se mantém durante o dia, e as noites oferecem alívio. Esse padrão natural já fazia de Cuiabá uma cidade conhecida pelo termômetro elevado, mas a paisagem urbana acelerou o problema.
A urbanização acelerada e o desmatamento intensificaram a formação de ilhas de calor — áreas onde a redução da cobertura vegetal e o aumento das superfícies de concreto elevam a temperatura. Esse efeito combinado explica por que o calor percebido nas ruas é ainda mais intenso do que os números indicam.
Modelos climáticos indicam que, sem ações eficazes contra o aquecimento global, temperaturas próximas a 50°C podem se tornar realidade nas próximas décadas.
Saúde sob ameaça constante
O calor extremo desencadeia desidratação, insolação e complicações cardiovasculares, e as crianças têm dificuldade para autorregular a temperatura corporal, perdem líquidos com rapidez e ficam vulneráveis em pouco tempo de exposição. Os idosos, por outro lado, sentem menos sede naturalmente e frequentemente tomam medicamentos que ampliam a perda de água no organismo, o que agrava o risco.
Gestantes e pessoas com doenças preexistentes também correm risco elevado durante ondas de calor. O sistema de saúde local enfrenta sobrecarga nesses períodos, o que torna a educação sobre hidratação e a prevenção essenciais para a sobrevivência urbana, não apenas para o conforto.
Escolas se reorganizam contra o calor
A Coordenadoria Técnica de Ensino da Secretaria Municipal de Educação orientou as unidades escolares a reforçar a proteção dos alunos. Hidratação contínua, umidificadores e garrafas de água nas salas de aula passaram a fazer parte da rotina. Recreios e aulas de Educação Física foram transferidos para ambientes protegidos, com jogos, leituras e filmes substituindo atividades externas sob o sol.
A administração municipal também investe em reformas e ampliações das escolas com foco no conforto térmico e em uma infraestrutura adequada ao novo cenário climático. O cardápio inclui frutas e sucos para complementar a reidratação. Essas mudanças refletem uma realidade: adaptar a cidade ao calor extremo deixou de ser uma medida eventual e virou necessidade estrutural.










