Para frear a queda de vendas, o BYD Dolphin Mini de segunda geração abandona a tração dianteira. E adota a mesma configuração do rival Geely EX2: motor traseiro, suspensão independente e um compartimento de carga sob o capô. A mudança estrutural coloca o hatch chinês em disputa direta com um concorrente que já domina o segmento.
Registros do MIIT, o ministério chinês da indústria, mostram que a mudança vai além do aumento de tamanho. Com 4.205 mm de comprimento, apenas 70 mm a mais que o EX2, o Dolphin Mini se aproxima do rival.
Em agosto, o Seagull registrou 10.103 emplacamentos na China, enquanto o rival Xingyuan (nome local do Geely) somou 39.651 registros de varejo e 60.955 entregas no atacado.
Mecânica renovada e interior modernizado
O novo motor TZ164XYB, desenvolvido pela Zhengzhou BYD Auto, entrega 95 kW (127 cv), quase o dobro dos 55 kW (75 cv) da geração anterior. A velocidade máxima sobe para 150 km/h, ampliando o apelo do modelo entre quem busca mais desempenho em elétricos compactos.
No chassi, molas helicoidais simples dão lugar à suspensão traseira multilink independente. Os pneus 205/60 R16, contra 165 a 175 mm na geração anterior, melhoram a dirigibilidade. O interior ganha volante de dois raios com base achatada, tela flutuante, carregador de celular sem fio e porta-copos duplos verticais.
A capacidade do compartimento de carga sob o capô ainda não foi divulgada.
Baterias e assistência avançada
A BYD não confirmou oficialmente se a versão de topo receberá a bateria Blade de segunda geração com Flash Charging, embora flagras em testes promocionais alimentem essa especulação. Externamente, maçanetas mecânicas semi-rebatidas e um grande aerofólio traseiro com difusor integrado dão ao modelo um visual mais moderno.
Um módulo opcional de LiDAR no teto integra o pacote DiPilot 300 (God’s Eye B), que oferece assistência de nível 2.
Rumores indicam que versões posteriores poderão contar com um motor híbrido, algo inédito para a linha Dolphin Mini. A bateria Blade, em duas capacidades — 30 kWh, com 320 km de autonomia (ciclo CLTC), ou 39,2 kWh, com 420 km — deve estar disponível nas versões básica e intermediárias.
Quando chega e por onde passa
A comercialização do novo Dolphin Mini ainda não tem data confirmada na China. No Brasil, a chegada deve ocorrer por volta de 2028, segundo o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy. Quando desembarcar por aqui, o modelo conviverá inicialmente com a geração atual, produzida em Camaçari (BA).
A transformação do Dolphin Mini reflete a estratégia mais agressiva da BYD nos segmentos populares. Ao adotar a receita do Geely EX2 e superar o rival em potência e dimensões, a marca busca recuperar protagonismo em um nicho no qual o modelo chinês estabeleceu um novo padrão.










