O teclado que é utilizado todos os dias em computadores, notebooks, tablets e smartphones não foi projetado para ser intuitivo nem fácil de aprender. As letras não estão em ordem alfabética porque o padrão atual surgiu para resolver outro problema: organizar máquinas de escrever mecânicas.
O inventor americano Christopher Scholes aperfeiçoou uma ideia inicial de seu parceiro James Densmore e criou o teclado QWERTY, nome dado pela disposição das primeiras seis letras da linha superior. A estratégia aproximava os pares de letras mais usados na língua inglesa para diminuir o risco de travamento mecânico das hastes de tipos.
Como o padrão QWERTY conquistou o mundo
O teclado QWERTY se tornou tão popular que continua sendo o padrão dominante em computadores e dispositivos eletrônicos ao redor do mundo. No Brasil, cerca de 99% dos teclados seguem esse layout. Como o padrão já estava consolidado, mesmo quando a tecnologia mudou e a razão original desapareceu, ninguém precisava mais aprender outro.
A inércia do uso transformou o QWERTY em um padrão tratado como universal. Gerações cresceram aprendendo a digitar nessa ordem, o que tornou qualquer alternativa praticamente impossível de adotar em larga escala.
Alternativas que nunca conseguiram espaço
Ao longo do tempo, outros layouts foram criados. O mais conhecido é o Teclado Simplificado Dvorak, desenvolvido por August Dvorak e William Dealey em 1936 como alternativa ao QWERTY. Estudos indicam que, ao digitar em inglês, um usuário do Dvorak move os dedos 42% menos do que moveria em um teclado QWERTY.
Apesar desse tipo de vantagem ergonômica ser apontada por alguns estudos, o Dvorak não alcançou adoção significativa, e não é sequer o mais popular em seu país de origem. Fabricantes e usuários resistiram ao layout radicalmente diferente, que exigia reaprender completamente a digitar. O custo da mudança era maior que o benefício percebido, e o QWERTY permaneceu como padrão universal.










