Grupos de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) que vivem no Pacífico Norte desenvolveram uma técnica de caça coordenada: elas formam paredes de bolhas de ar para encurralar cardumes inteiros. O comportamento é uma das evidências mais claras de organização social entre mamíferos marinhos de grande porte.
A manobra permite que o grupo capture muito mais presas em um único mergulho, sem que cada animal precise gastar energia adicional para caçar sozinho. Isso ajuda a explicar por que essa espécie consegue se recuperar em regiões que sofreram décadas de caça comercial.
Como o grupo monta a armadilha
Um animal da espécie lidera o ataque e mergulha sob o cardume de arenques. Ao subir em espiral, libera bolhas de ar em uma sequência controlada, formando um cilindro que funciona como cerco.
Enquanto isso, outros integrantes do grupo emitem sons de alta frequência para conduzir os peixes para dentro da armadilha e fazê-los subir à superfície. Cada baleia tem uma função definida, e o ataque só funciona porque todas agem no momento certo.
Controle fino sobre a armadilha de ar
A técnica não é aleatória: as baleias ajustam o número de anéis de bolhas, o tamanho da rede e a profundidade em que ela é criada. Também controlam o espaçamento entre as bolhas, para que o cardume não encontre nenhuma abertura por onde escapar.
Esse controle da forma da rede exige que cada animal regule com precisão a velocidade da subida em espiral. Quando a rede se fecha por completo, todo o grupo emerge ao mesmo tempo com a boca aberta e aproveita a concentração de peixes na superfície.
Um saber que passa entre gerações
Filhotes e baleias que chegam a um novo território aprendem a técnica observando os indivíduos mais experientes do grupo. Esse aprendizado por imitação faz da caça com bolhas um traço cultural, não apenas um instinto herdado geneticamente.
Quando migram para outras áreas, indivíduos adultos levam esse conhecimento consigo e o repassam a populações que ainda não dominavam a estratégia. Assim, a prática se espalha entre diferentes populações de baleias-jubarte ao longo dos oceanos.
O corpo que torna a manobra possível
As nadadeiras peitorais longas dessas baleias funcionam como estabilizadores durante as curvas fechadas da espiral. Pequenas protuberâncias na borda das nadadeiras aumentam a sustentação na água, uma característica pouco comum entre cetáceos de grande porte.
O esqueleto flexível atua em conjunto com a cauda para manter a velocidade estável mesmo em giros apertados. Essa combinação entre anatomia e comportamento aprendido faz da rede de bolhas uma das táticas de caça mais eficientes do oceano.










