A Renault está relançando na Europa o Kwid elétrico sob a marca Dacia Spring, renovado para competir diretamente com o BYD Dolphin Mini. Enquanto o Brasil descontinua o modelo, o mercado europeu recebe um subcompacto maior, com mais autonomia e espaço interno.
O novo Spring custa menos de 18 mil euros — pouco mais de R$ 107 mil em conversão direta —. E fica abaixo do Dolphin Mini em países como Inglaterra, na Itália e na França. Nesses mercados, o concorrente chinês custa a partir de 18.675 euros, o equivalente a R$ 111 mil.
Dimensões maiores
Desenvolvido sobre a plataforma RG-EV Small, compartilhada com o Twingo e o Renault 5 elétricos, o Kwid cresce. O comprimento aumenta 15 cm, para 3,85 metros; a largura, 18 cm, para 1,74 m; e o entre-eixos, 7 cm, para 2,49 m, e com isso, o interior fica mais espaçoso.
O porta-malas passa a comportar 337 litros, com outros 18 litros sob o capô, totalizando 355 litros. O volume supera os 230 litros do Dolphin Mini e se aproxima do espaço de carga de SUVs compactos como o VW Tera, que oferece 350 litros.
Design com inspiração SUV
O novo Kwid abandona a aparência tradicional de hatchback e adota traços mais robustos. A carroceria tem formas vincadas e linha de cintura elevada, que dão ao modelo aparência de veículo utilitário. Os faróis de LED afilados se conectam por uma peça em preto brilhante, enquanto a grade frontal e o para-choque têm formas angulares.
Na traseira, as lanternas ficam na parte superior, em posição diferente da intermediária comum em hatchbacks. O desenho também diferencia o modelo dos irmãos de plataforma Twingo e Renault 5 elétricos, que mantêm identidade mais compacta.
Interior conectado e moderno
O habitáculo recebe painel de instrumentos digital de 7 polegadas e central multimídia de 10 polegadas, com compatibilidade nativa com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O ar-condicionado automático segue o desenho usado em outros modelos da marca, como o Kardian.
Os assentos vêm separados com apoios de cabeça independentes e acabamento em tecido. A Dacia elimina o console central elevado, deixando a zona intermediária vazada com nichos de armazenamento. O botão de partida fica posicionado acima dessa área, enquanto o freio de estacionamento eletrônico ocupa lugar inusual na base do painel. A manopla do câmbio, acionada por uma alavanca, fica logo atrás do volante.
Autonomia ampliada para competir
A bateria passa a ter 27,5 kWh, enquanto o motor elétrico dianteiro é mantido. A autonomia chega a 250 km no ciclo WLTP europeu, 26 km a mais que na geração anterior. O Dolphin Mini alcança 320 km no mesmo ciclo, mas a diferença diminui.
No ciclo mais rigoroso do Inmetro no Brasil, o Dolphin Mini oferece até 280 km, enquanto o Kwid E-Tech anterior chegava a 180 km com bateria de 26,8 kWh. O motor do modelo europeu desenvolve 79 cv de potência, e a Dacia ainda não divulgou o torque máximo.
Vendas anteriores e planos futuros
A geração anterior do Kwid elétrico vendeu mais de 210 mil unidades na Europa ao longo de cinco anos, consolidando-se como referência no segmento. Na Inglaterra, o novo Spring custará menos de 18 mil libras esterlinas, reduzindo para aproximadamente 14 mil libras com incentivo fiscal local.
No Brasil, o Kwid E-Tech registrou apenas 217 unidades vendidas em 2026, enquanto o BYD Dolphin Mini atingiu 21.647 unidades no mesmo período.
A Renault planeja lançar quatro carros elétricos até 2030, incluindo uma nova geração do Sandero e versões elétricas dos modelos Duster e Bigster. Para isso, prevê investimento de R$ 3,8 bilhões em parceria com a Geely na fábrica de São José dos Pinhais.










