Uma das principais marcas do mercado automotivo brasileira, a Nissan passa por uma das maiores transformações de sua história industrial. A montadora vai eliminar aproximadamente 20 mil postos de trabalho e reduzir sua estrutura de produção de 17 para 10 fábricas em operação no mundo inteiro, fechando sete unidades nos próximos anos. Essa reestruturação vai muito além das linhas de montagem.
Áreas administrativas, logística, armazenagem e gerenciamento também sofrerão cortes no que a empresa busca para recuperar a lucratividade após dois exercícios consecutivos com prejuízos bilionários.
Como os desligamentos foram anunciados
O processo de redução não aconteceu de uma vez. A Nissan comunicou inicialmente a eliminação de cerca de 9 mil postos, depois acrescentou 11 mil cortes adicionais em maio de 2025, totalizando os 20 mil empregos atingidos. Quando ampliaram o programa, esse número correspondia a aproximadamente 15% do quadro global de funcionários da fabricante.
Os desligamentos estão distribuídos entre operações distintas e diferentes fases da reestruturação, de modo que não ocorrem simultaneamente. Na Europa, por exemplo, a montadora anunciou aproximadamente 900 cortes em maio de 2026. Além disso, a Nissan está eliminando níveis hierárquicos para reduzir custos operacionais e acelerar o processo de tomada de decisão.
Fábricas que saem da produção
O fechamento industrial não significa que todas as sete unidades terão exatamente o mesmo destino. Enquanto algumas cessarão completamente a fabricação de automóveis, outras podem ser reorganizadas, vendidas ou ter seus modelos transferidos para plantas maiores e mais eficientes.
A capacidade produtiva global será reduzida significativamente — antes conseguia produzir aproximadamente 3,5 milhões de veículos ao ano, e o Novo alvo é operar com cerca de 2,5 milhões. Na Argentina, a fábrica de Santa Isabel já encerrou suas atividades em outubro de 2025. A Nissan havia utilizado aquela unidade desde 2018, mas optou por concentrar sua estratégia industrial na América Latina por meio de outras operações.
No México, a planta de CIVAC, que iniciou operações em 1966 e acumulou aproximadamente seis décadas de funcionamento. Encerrou a fabricação de automóveis em março de 2026, marcando mais um capítulo dessa transformação global.
O Novo CEO da Nissan, Ivan Espinosa de 46 anos e mexicano, foi escolhido para liderar essa recuperação. O plano de reestruturação, denominado Re:Nissan e anunciado em maio de 2025, prevê economia de 500 bilhões de ienes. A estratégia de recuperação se concentra em dois mercados principais: China e Estados Unidos.
A companhia registrou prejuízo de US$ 3,54 bilhões em seu último ano fiscal, o que apressou a necessidade dessa reestruturação. Negociações de fusão com a Honda fracassaram porque os dois lados discordavam sobre o controle das operações, deixando a Nissan com a tarefa de se recuperar sozinha.










