A Horse Powertrain, joint venture entre Renault, Geely e Aramco, criou um motor capaz de operar totalmente submerso. O projeto mira picapes e SUVs híbridos usados em terrenos alagadiços, comuns em áreas rurais e estradas sem infraestrutura.
Batizado como B20, o propulsor é um quatro-cilindros 2.0 turbo com até 252 cv de potência, dependendo da configuração escolhida. O torque varia de 30,6 a 38,7 kgfm, e o conjunto pesa 130 kg.
Como a vedação resiste à água
Componentes elétricos e mecânicos foram isolados para atender ao padrão IPX8, que indica resistência à imersão. Isso permite que o motor continue funcionando submerso em até 1,1 metro de água.
Sensores identificam quando o veículo entra em contato com a água, e a central eletrônica ajusta automaticamente os parâmetros de funcionamento para manter o carro estável em condições adversas. O motor também opera sem falhas em rampas com até 45% de inclinação.
Ganhos para o sistema híbrido
A separação entre as partes elétrica e mecânica garante que a bateria e os motores elétricos sigam funcionando de forma independente. Mesmo com o bloco a combustão exposto à água, essa divisão reduz o risco de pane simultânea nos dois sistemas.
O motor conta ainda com ciclo Miller, injeção direta e turbo completam a arquitetura do B20, pensada para equilibrar eficiência e resistência. Menos falhas causadas por umidade também devem significar manutenção mais espaçada ao longo da vida útil do veículo.
Um mercado brasileiro em dificuldade
A novidade chega em um momento delicado para as picapes médias no Brasil. A Fiat Titano ocupa a oitava posição do ranking do segmento, enquanto a Ram Dakota aparece em sexto lugar, atrás de nomes consolidados como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger, Mitsubishi Triton e até da GWM Poer.
Diante da procura abaixo do esperado, a Stellantis decidiu reduzir a produção das duas picapes. A previsão de 27.000 unidades para 2026 foi revista para 16.500, uma queda de quase 40% no volume planejado.
Tecnologia como diferencial competitivo
Motores capazes de operar debaixo d’água podem se tornar um grande atrativo de venda relevante para fabricantes que disputam espaço com marcas já estabelecidas no país. Produtores rurais e empresas de logística costumam enfrentar alagamentos sazonais que imobilizam frotas inteiras durante períodos de chuva.
Equipar picapes e SUVs híbridos com esse tipo de solução amplia a faixa de uso desses veículos em regiões de estrada precária. A vantagem prática pode pesar na escolha de quem hoje hesita entre um modelo recém-chegado e opções já testadas pelo mercado.










