Tim Draper, bilionário da tecnologia e investidor em bitcoin, anunciou a venda de sua ilha particular localizada na Tanzânia e começou a receber propostas. Entre elas estão minas de ouro, casarões, rebanhos de gado e até pagamentos parcelados infinitos pela Lupita Island, resort de luxo avaliado em US$ 7,9 milhões.
A venda enfrenta uma questão jurídica: Draper não é o proprietário da ilha. O governo tanzaniano alertou que Lupita Island pertence à Tanzania Investment and Special Economic Zones Authority (TISEZA), órgão estatal. A Firelight Safaris Ltd., empresa de que Draper é acionista, detém apenas um “Derivative Right” — um direito de desenvolvimento e operação do resort, não a propriedade da terra.
Dias depois de Draper anunciar a venda na rede social X, em 28 de agosto, o Ministério de Terras da Tanzânia esclareceu a estrutura de propriedade. A informação surpreendeu muitos dos que acompanhavam a negociação nas redes sociais.
A verdadeira estrutura do negócio
Draper disse ao New York Post que o que está à venda são todas as benfeitorias — as construções e os casarões erguidos sobre a terra arrendada pelo governo. Em comunicado ao jornal, revelou ainda que já havia recebido várias ofertas pela ilha e descreveu o interesse como “esmagador”.
Ele também admitiu não possuir documentos do governo tanzaniano comprovando a propriedade do imóvel, conforme relatou em seu livro. Na Tanzânia, toda a terra é pública e investidores estrangeiros operam via concessões governamentais ou direitos derivados — uma estrutura comum também em outros destinos turísticos de ilha, como as Maldivas.
A TISEZA informou que esses direitos podem durar até 99 anos e são renováveis. Porrtanto qualquer novo investidor que adquira a Firelight Safaris poderá herdar essas concessões conforme a legislação tanzaniana, mantendo o governo como proprietário da terra e das águas.
Um refúgio de luxo no coração da África
Lupita fica nas águas da Tanzânia, no Lago Tanganica, na região oeste do país, e só é acessível por barco. A ilha ocupa 110 acres — aproximadamente 0,17 quilômetro quadrado — no lago compartilhado pela Tanzânia, pela República Democrática do Congo, pelo Burundi e pela Zâmbia.
O lago se estende por cerca de 418 quilômetros, é o segundo mais profundo do mundo e atinge aproximadamente 1.469 metros de profundidade. O resort inclui dez casarões com teto de palha, alguns com banheiras ao ar livre. E piscinas privadas, além de spa, academia, piscina comum, sala de jogos, vários bares e um barco de 46 pés. É preciso combinar avião e barco para chegar ao local, reforçando seu caráter exclusivo e isolado.
Do investimento inicial ao desapego presente
Draper afirma que uma viagem ao Caribe por volta de 2001 o inspirou a criar seu próprio refúgio exótico. Após uma expedição familiar pela Tanzânia, ele e os operadores de safari Tom e Belinda Lithgow escolheram Lupita — então desabitada — para o projeto de luxo. A construção começou em 2004 e o resort abriu em 2008, após um investimento de cerca de US$ 6 milhões e diversos imprevistos custosos ao longo do percurso.
Draper descrevia Lupita como sua “saída de emergência” e como uma aposta de longo prazo no turismo africano. Seu motivo para vender agora é direto: a família não utiliza a propriedade com frequência suficiente.
Outros bilionários também investiram em ilhas particulares, e richard Branson transformou Necker Island, nas Ilhas Virgens Britânicas, em um refúgio de luxo e adquiriu a vizinha Moskito Island em 2007. Larry Ellison comprou aproximadamente 98% de Lanai, no Havaí, em 2012, por cerca de US$ 300 milhões. Depois, investiu em reformas hoteleiras e outras melhorias na região.










