Um forte militar erguido em 1669 às margens do Rio Negro deu origem a Manaus, cidade que hoje reúne 2,3 milhões de habitantes em plena selva amazônica. O povo indígena Manaó deu nome à região, e a pequena fortificação originou uma das maiores cidades do Norte do país.
A capital amazonense é ponto de partida para explorar a maior floresta tropical do planeta. Entre os roteiros mais procurados está o encontro entre dois rios gigantes, cujas águas correm lado a lado por quilômetros sem se fundir.
O mistério das águas que não se misturam
Diferenças de cor, temperatura e velocidade marcam o Rio Negro e o Rio Solimões no trecho chamado de Encontro das Águas. O Rio Negro tem tom escuro e ácido, enquanto o Solimões apresenta aspecto barrento e temperatura mais fria. A diferença de densidade entre as correntes retarda a mistura.
Esse contraste fez do fenômeno um patrimônio natural reconhecido pelo IPHAN. Depois do encontro, as águas seguem unidas e formam o Rio Amazonas. Passeios de barco saindo do porto da cidade, com duração aproximada de 30 minutos, estão entre os programas mais procurados pelos visitantes.
No auge do ciclo da borracha, a riqueza e a sofisticação de Manaus renderam à cidade o apelido de Paris dos Trópicos. A metrópole que floresceu com o látex guarda até hoje prédios e praças daquela época.
Roteiro entre história e natureza selvagem
Prédios da era áurea da borracha dividem espaço no roteiro turístico com expedições pela mata amazônica. Uma estadia de pelo menos quatro dias costuma bastar: dois para conhecer o patrimônio urbano e dois para explorar os rios e a floresta. Boa parte desse legado se concentra no Teatro Amazonas, inaugurado em 31 de dezembro de 1896 e reconhecido como Patrimônio Histórico Nacional em 1966.
Trazidas da Alsácia, 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira compõem a cúpula do teatro. O Pano de Boca, pintado por Crispim do Amaral, retrata a confluência dos rios. Lustres italianos, mármore de Carrara e a acústica do salão nobre completam a visita guiada pelo interior do edifício.
Em frente ao teatro, o Largo de São Sebastião chama a atenção pelo calçamento português instalado em 1899. O desenho ondulado foi inspirado na Praça de Dom Pedro IV, em Lisboa. Ali perto, peixes típicos da região, frutas nativas, ervas e artesanato indígena dividem espaço entre as bancas do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, erguido em 1883 nos moldes do mercado parisiense Les Halles.
Durante o ciclo da borracha, engenheiros ingleses participaram da construção do Porto de Manaus, hoje reconhecido pelo Ministério do Turismo como o maior porto flutuante do mundo. O Museu da Amazônia (MUSA) reúne trilhas em meio à mata, uma torre de observação sobre a copa das árvores e exposições sobre a biodiversidade regional.
No Bosque da Ciência (INPA), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, os visitantes encontram educação ambiental e contato com animais como ariranhas, peixe-boi e sauim-de-coleira. O Arquipélago de Anavilhanas, um dos maiores conjuntos de ilhas fluviais do planeta, oferece experiências em rios com botos-cor-de-rosa e conecta a metrópole à floresta.










