Régis Fernandes da Silva, conhecido como Régis Pitbull, vive nas ruas de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, depois de deixar os gramados onde atuou durante a carreira no futebol. Aos 49 anos, o ex-atacante que teve passagens por clubes como Corinthians, Vasco da Gama e Bahia, convive com a dependência química e a falta de moradia digna.
Há cerca de dois meses, ele perdeu o lugar onde vivia e a rede de apoio que havia construído na região onde cresceu. Um apartamento que permanece registrado em seu nome corre risco de ser perdido por dívidas de condomínio e IPTU, já que o imóvel responde a uma ação judicial.
A mudança para as ruas ocorreu após uma prisão em 2025, quando o ex-atleta foi detido por agredir o síndico do prédio.
Ex-atacante Régis Pitbull em situação de rua
Antes de ir para as ruas, Régis tentou reorganizar a vida na casa de parentes e conhecidos, mas acabou sem esse apoio. Seu abrigo atual fica numa praça de Pirituba, montado com lonas, cobertores e papelão, cercado por entulho de obras e lixo acumulado. A cada dia, ele precisa encontrar comida e recursos mínimos para sobreviver.
Um restaurante do bairro se tornou seu ponto de referência. Ali, ele toma café, recebe refeições doadas, usa o banheiro e carrega o celular. O aparelho é seu principal contato com o mundo exterior. Segundo uma funcionária do estabelecimento, ele aparece quase todos os dias e raramente passa por períodos de sobriedade.
O peso da dependência e o vício no cotidiano
A rotina de Régis reflete os impactos diretos da dependência química. Ele consome regularmente uma mistura chamada “flor com ice” — combinação de flor de maconha com um extrato de alta concentração — além de outras drogas. Ele tem poucas roupas, não consegue tomar banho regularmente e depende da ajuda de um amigo para cortar o cabelo e a barba.
Na praça onde dorme, divide o espaço com outro morador de rua que aparenta ter mais de 60 anos. Os dois vivem em conflito e se desentendem com frequência, e a falta de privacidade agrava as dificuldades de convivência.
Reconhecimento nas ruas e a história do futebol
Moradores de Pirituba ainda o reconhecem pelas ruas do bairro onde cresceu. Régis deixa uma bicicleta azul num posto de gasolina próximo ao restaurante e a usa para visitar conhecidos e circular pela região que conhece desde a infância.
Sua trajetória no futebol incluiu passagens por Corinthians, Vasco, Ponte Preta e Bahia. Pelo clube baiano em 2001, disputou apenas quatro partidas, enquanto no Corinthians em 2004, entrou em campo sete vezes. Décadas depois, esses momentos de glória contrastam com a realidade atual de vida nas ruas e luta constante contra o vício.
Em 2021, ele recebeu apoio do comentarista e ex-jogador Walter Casagrande para buscar tratamento contra a dependência química, mas não conseguiu manter a recuperação. Depois, foi preso em março por agredir o subsíndico do condomínio em que vivia e obteve liberdade provisória com obrigações judiciais. Como não as cumpriu, recebeu um mandado de prisão preventiva e foi detido novamente em setembro.










