Um estudante de Direito foi detido em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, após se apresentar como magistrado durante uma abordagem policial na noite de segunda-feira. Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, tinha um mandado em aberto por estelionato e acumulava 78 processos, dos quais 22 eram por fraude.
A prisão ocorreu por volta das 21h30, no Jardim do Mar, depois que agentes do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano abordaram um veículo que trafegava em excesso de velocidade. O motorista entregou um documento adulterado em nome de Jarbas Luiz dos Santos, e afirmou ser juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André, além de professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.
Estudante de Direito detido com identidade falsa
A versão não resistiu à verificação dos policiais. Uma pessoa que passava pelo local o reconheceu e disse aos agentes que ele era apenas aluno da mesma instituição em que afirmava lecionar, não professor.
No 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, as impressões digitais confirmaram sua verdadeira identidade. Enquanto isso, outra equipe localizou em São Caetano do Sul o juiz legítimo cujo nome constava no documento falsificado.
O magistrado compareceu à delegacia e, além de confirmar sua identidade, relatou uma tentativa recente de compra de imóvel realizada em seu nome sem autorização — investigadores avaliam se os casos estão conectados.
Histórico de fraudes e tentativas de enganação
O cruzamento de dados nos sistemas de segurança revelou que Selmo acumulava 78 processos e 34 inquéritos, dos quais 22 por estelionato. Em 2010, quando já estava preso por esse crime, ele tentou concorrer a deputado federal por São Paulo pelo partido DEM, declarando um patrimônio de R$ 91,65 milhões à Justiça Eleitoral.
O principal bem declarado na época era uma instituição de ensino chamada Unilma, avaliada em R$ 80 milhões, da qual se apresentava como reitor fundador. A entidade nunca teve registro no Ministério da Educação, e a candidatura foi contestada pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo até ser impedida.
Uma reportagem da época registrou que, em 2012, ele tentou novamente: candidatou-se a prefeito de Juquitiba e recebeu pouco mais de 40 votos.
Confrontado, muda versão durante a abordagem
Durante o questionamento policial, ao ser confrontado com informações que o desmentiam, Selmo mudou a versão: deixou de dizer que era juiz e passou a alegar ser aluno de doutorado. Essa mudança de versão se soma ao histórico de fraudes documentadas.
O boletim de ocorrência classificou o episódio como uso de documento falso e recaptura de procurado. Selmo permanece detido e à disposição da Justiça enquanto continua a investigação sobre a tentativa de compra de imóvel em nome do juiz verdadeiro.










