A Volkswagen estuda lançar uma nova versão do Polo movida exclusivamente a etanol, seguindo o caminho aberto pela Chevrolet com o Onix Eco em 2026. A estratégia combina um motor mais potente com benefícios fiscais reservados aos veículos que rodam apenas com combustível de origem vegetal.
Segundo informações da revista Quatro Rodas, a montadora estaria testando duas opções: adaptar o motor 1.0 MPI existente ou usar uma configuração a etanol do propulsor 1.6 16V MSI, que o Polo já utilizou até 2022.
Com esse motor maior, o veículo poderia alcançar aproximadamente 116 cv de potência. Atualmente, o automóvel desempena com 84 cv com utilização de etanol.
Polo exclusivamente movido a etanol com incentivo fiscal
O uso exclusivo de etanol dá acesso a uma redução de 0,5 ponto percentual na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), hoje de 6,4% no cálculo-base. Embora a diferença seja de 0,5 ponto percentual, o desconto ganha peso quando aplicado ao volume de produção de uma montadora.
O Onix Eco, lançado pela Chevrolet, demonstra essa viabilidade comercial: o modelo sai por R$ 99.990 com motor 1.0 turbo de 115 cv e câmbio automático de seis marchas — preço inferior ao de versões aspiradas e manuais do próprio segmento. Com um propulsor 1.6 e incentivo tributário, o Polo poderia oferecer desempenho superior mantendo competitividade de valor.
Resgate de uma tradição interrompida
A possível volta do etanol exclusivo retoma a história do Polo. O Gol, ancestral direto do segmento, começou a ser vendido no Brasil em 1980 e ganhou versões movidas a álcool anos depois, quando o consumidor precisava escolher entre gasolina ou álcool — a tecnologia flex ainda não existia.
Tudo mudou em março de 2003, quando a Volkswagen lançou o Gol 1.6 Total Flex, o primeiro automóvel produzido em série no país a funcionar com gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois. Aquela inovação transformou o mercado brasileiro e se tornou padrão entre os carros vendidos.
Agora, o Polo poderia inverter esse caminho: deixar temporariamente a flexibilidade para abraçar só etanol e aproveitar as regras tributárias que incentivam veículos mais eficientes e com menor impacto ambiental.










