Seis dos 255 bilionários brasileiros de 2026 construíram parte relevante de suas fortunas administrando shopping centers pelo país. Juntos, esse grupo acumula quase R$ 40 bilhões, o equivalente a 2,35% de toda a riqueza somada na lista.
Todos avançaram posições no ranking geral na comparação com 2025, reflexo de um ano de valorização no setor de varejo mesmo com os juros elevados pressionando o consumo. Ações de Multiplan e Iguatemi subiram na bolsa desde o início do ano, em uma janela de 12 meses.
Metodologia de cálculo das fortunas dos bilionários
Múltiplas fontes de dados públicos e auditados sustentam os valores usados pela Lista Forbes de Bilionários Brasileiros, com peso maior para ações negociadas em bolsa. A cotação de fechamento de 30 de junho de 2026 serviu como referência principal para o cálculo.
Imóveis, obras de arte, aviões e embarcações costumam ficar de fora da conta, a menos que o bilionário forneça informações confiáveis sobre esses ativos. Por isso, alguns patrimônios no ranking podem estar subestimados em relação à riqueza real de cada família.
Os dois nomes por trás da JHSF
Uma pequena construtora fundada em 1972 deu origem ao grupo JHSF, hoje comandado por Fábio Roberto Chimenti Auriemo, de 74 anos. Ele detém 55,8% do capital social da empresa e subiu da 53ª para a 35ª posição no ranking geral. Seu patrimônio passou de R$ 8 bilhões para R$ 10 bilhões, alta de 23,75%.
Empreendimentos como o Parque Cidade Jardim, a Fazenda Boa Vista e o Boa Vista Village fazem parte do portfólio, que também inclui operações de hospitalidade, aeroporto executivo e clubes fora do país. José Auriemo Neto, de 50 anos e filho de Fábio, preside o conselho da JHSF. Ele viu sua fortuna saltar de R$ 6,8 bilhões para R$ 9,1 bilhões, avanço de 33,82% que o levou da 59ª para a 37ª posição.
Conhecido como “Zeco”, ele controla a rede Fasano, comprada em 2014, e inaugurou em 2019 o São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque, o único aeroporto executivo privado do Brasil. A rede de hotéis ganhou unidades em Nova York, Punta del Este e cidades da Europa sob sua gestão.
O empresário catarinense que virou referência regional
Aos 68 anos, Jaimes Almeida Junior construiu a própria trajetória. Começou no setor bancário, com financiamentos imobiliários, antes de migrar para os shoppings. A busca por renda estável e recorrente o levou a dominar o mercado catarinense de centros de compras. Natural de Santa Catarina, o empresário viu seu patrimônio crescer de R$ 8,1 bilhões para R$ 8,8 bilhões. Alta de 8,6% que o fez saltar da 83ª para a 39ª posição geral em 2026.
Concentração no Rio, São Paulo e Ceará
José Isaac Peres subiu da 64ª posição para um lugar de destaque no ranking de 2026 com uma cadeia de centros de compras espalhados entre Rio de Janeiro e São Paulo. A holding cearense ligada à família Jereissati também avançou da 146ª posição para uma colocação mais alta entre os bilionários do país.
O grupo de Estevam Duarte de Assis e sua família, de origem mineira, mantém um patrimônio no varejo imobiliário e está entre os nomes fortes do setor. A trajetória do grupo passou pelo varejo alimentício antes da migração para os shopping centers.
O mercado de shoppings fora do ranking pessoal
Além das fortunas pessoais, o setor de shopping centers passou por uma reorganização entre as empresas listadas em bolsa. A Iguatemi vendeu fatias minoritárias de alguns de seus shoppings, mas manteve a administração dos ativos sob seu controle. No período, a receita da companhia somou R$ 6,6 bilhões, alta de 4,6% em um ano. O lucro conjunto das empresas abertas do setor, porém, recuou 16% no mesmo intervalo.
O contraste entre receita em alta e lucro em queda mostra como custos mais altos afetam a rentabilidade do negócio, mesmo quando os shoppings seguem atraindo consumidores e valorizando na bolsa.










