O Grupo Casas Bahia recorreu à Justiça de São Paulo pedindo a devolução de R$ 422 milhões que afirma terem sido retirados de suas contas pelo Banco do Brasil. O documento foi protocolado na última segunda-feira (24), dentro do processo de recuperação judicial que a varejista enfrenta e que ainda não foi deferido.
O Banco do Brasil havia servido como fiador de garantias contratadas pela companhia junto à Apple e à Mapfre Seguros. Depois que a Casas Bahia deu entrada no pedido de recuperação, esses fornecedores teriam recorrido às garantias oferecidas pelo banco.
Petição da Casas Bahia sobre bloqueio de recursos
Segundo os advogados da empresa, o Banco do Brasil arcou com os pagamentos e, na sequência, descontou os valores das contas da Casas Bahia já na sexta-feira (21), como ressarcimento. A companhia rejeita esse procedimento e defende que o montante deveria obedecer às regras da recuperação judicial, já que envolve um crédito sujeito ao processo.
O grupo descreve no documento enviado à Justiça, a movimentação de parte dos credores como uma corrida pela satisfação individual de créditos, em condições diferentes das previstas no plano recuperacional.
Os representantes da varejista também argumentam que a operação fere a igualdade entre credores e que caberia ao Banco do Brasil buscar a Justiça para discutir os valores das garantias antes de descontá-los diretamente.
Outros bloqueios enfrentados pela empresa
Segundo o relato apresentado à Justiça, a Casas Bahia afirma que o BTG Pactual impediu movimentações e consultas de saldo em suas contas. A empresa também diz que Cielo, Getnet e Redecard retiveram recebíveis de compras feitas com cartão.
A companhia justifica a retenção preventiva desses valores pela possibilidade de consumidores cancelarem compras após a divulgação da recuperação judicial. O Banco do Brasil, Apple, BTG Pactual, Cielo, Getnet e Redecard não comentaram o caso.
O tamanho da crise financeira
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, perda de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre e R$ 17,3 bilhões em dívidas a renegociar compõem o cenário que levou a companhia a buscar reorganização judicial em 16 de agosto.
A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo analisou os primeiros requerimentos em 19 de agosto e determinou uma perícia prévia para checar as condições financeiras e operacionais da empresa.
O processo ainda não foi deferido. Neste mês de agosto, a Casas Bahia também anunciou o fechamento de 298 lojas na segunda etapa de seu plano de transformação. Cerca de 1.900 funcionários foram demitidos, embora a Justiça do Trabalho tenha suspendido provisoriamente esses desligamentos.










